Rei reformista da Noruega morre aos 89 anos
Harald V, monarca há 33 anos, foi casado com plebeia e deixou legado de modernização na monarquia nórdica

O rei Harald V da Noruega morreu aos 89 anos, encerrando uma trajetória de 33 anos no trono que marcou a história do país. A notícia foi confirmada pela Casa Real norueguesa nesta segunda-feira, sem detalhes sobre a causa do falecimento. Com ele, vai-se um monarca que rompeu com tradições seculares e conquistou a admiração de seus conterrâneos.
Harald V assumiu o poder em 1991, após a morte de seu pai, Olav V, e desde então se tornou um símbolo de renovação para a monarquia norueguesa. Diferente do que se esperava de um rei, ele escolheu se casar com uma mulher sem título de nobreza, a rainha Sonja, com quem teve dois filhos. Essa decisão, incomum para a realeza da época, foi apenas o começo de uma série de mudanças que aproximaram a instituição do povo.
Durante seu reinado, Harald V não se limitou a representar o país em eventos oficiais. Ele viajou por todas as regiões da Noruega, participou de expedições e até mesmo competiu em esportes, como o iatismo, esporte do qual era entusiasta. Sua presença constante em comunidades remotas e sua disposição para dialogar com cidadãos comuns fizeram dele uma figura querida, muito além do papel cerimonial que muitos monarcas desempenham.
A morte do rei chega em um momento de transição para a Noruega. Embora a monarquia continue a ter apoio popular, o país debate há anos o papel da família real em um mundo cada vez mais igualitário. Harald V, no entanto, sempre defendeu a manutenção da instituição, argumentando que ela representava uma ponte entre o passado e o futuro. Seu legado, portanto, não se resume apenas à sua pessoa, mas à forma como ele redefiniu a relação entre a realeza e a sociedade.
O anúncio da morte do rei foi feito pela Casa Real em comunicado oficial, sem especificar detalhes sobre o velório ou o funeral. Sabe-se apenas que o sucessor será seu filho mais velho, Haakon Magnus, que já atuava como príncipe herdeiro. A transição, no entanto, deve ser cercada de cuidados, já que a Noruega é um dos países mais estáveis do mundo e a monarquia é parte central de sua identidade nacional.
Para os noruegueses, a perda de Harald V representa o fim de uma era. Ele foi o último rei a viver a Segunda Guerra Mundial como criança, tendo nascido em 1937. Sua infância foi marcada pela ocupação nazista da Noruega, experiência que, segundo relatos, moldou sua visão de liderança e resiliência. Mesmo após décadas no poder, ele manteve uma postura discreta, mas firme, sempre priorizando os interesses do povo acima dos privilégios da coroa.
O legado de Harald V também se estende além das fronteiras da Noruega. Como chefe de Estado, ele participou de inúmeras missões diplomáticas, fortalecendo os laços do país com nações vizinhas e com a União Europeia. Sua atuação no exterior, no entanto, sempre esteve alinhada à política externa neutra e pacífica que a Noruega adota há séculos.
A rainha Sonja, sua esposa, deve assumir um papel ainda mais proeminente nos próximos meses, enquanto a família real norueguesa se prepara para os novos desafios. O país, por sua vez, enfrenta um momento de reflexão sobre o futuro da monarquia, mas uma coisa é certa: a figura de Harald V permanecerá como um exemplo de como a tradição pode se adaptar sem perder sua essência.