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Nepal contabiliza 538 mortos em tragédia de geleira

Torrente de água, lama e detritos arrasta tudo após colapso em Himalaia; mais de 1,4 mil desaparecidos

📝 Redação CCN28 de agosto de 2026 às 12:32👁 2 leituras
Nepal contabiliza 538 mortos em tragédia de geleira

O Nepal amanheceu ontem sob o peso de uma catástrofe natural que já deixou 538 mortos e 1.432 desaparecidos. A tragédia começou quando uma geleira no Himalaia cedeu parcialmente, liberando uma avalanche de água gelada, lama e sedimentos que varreu tudo pela frente. Autoridades locais confirmaram que os danos se concentram em três distritos próximos à região montanhosa, onde comunidades inteiras foram atingidas pela força do desastre.

O colapso da geleira aconteceu na manhã de domingo, segundo relatos de moradores que ouviram um estrondo antes de ver a parede de detritos se aproximando. Testemunhas descreveram um barulho semelhante a um trovão, seguido por uma enxurrada que engoliu casas, pontes e estradas. Equipes de resgate ainda trabalham para localizar sobreviventes sob os escombros, mas a dificuldade é enorme: a lama endurecida e a instabilidade do terreno tornam as buscas perigosas. Até o momento, apenas 28 corpos foram recuperados com vida, enquanto o restante dos desaparecidos segue sem paradeiro.

A região mais afetada é o distrito de Manang, onde a geleira desabou. Lá, a água invadiu vilarejos e arrastou plantações, gado e estruturas. Moradores relatam que o rio próximo ao local transbordou em questão de minutos, levando tudo o que encontrava pela frente. Autoridades estimam que cerca de 5 mil pessoas foram diretamente atingidas, muitas delas desabrigadas e sem acesso a alimentos ou água potável. Helicópteros do exército nepalês foram mobilizados para distribuir suprimentos, mas a logística é complicada pela altitude e pelo mau tempo.

Segundo o porta-voz do Ministério do Interior do Nepal, a situação é crítica. "Os números ainda podem aumentar, pois não sabemos quantas pessoas estavam nas áreas atingidas quando o desastre ocorreu", afirmou. Até agora, 120 feridos foram hospitalizados, mas hospitais locais já enfrentam falta de medicamentos e leitos. A Cruz Vermelha local pediu ajuda internacional, destacando a necessidade de equipes especializadas em resgate em montanhas e kits de purificação de água.

O governo nepalês declarou estado de emergência e pediu apoio a nações vizinhas. Índia e China já enviaram equipes de resgate, enquanto organizações não governamentais ofereceram doações. A tragédia reacendeu discussões sobre os riscos das mudanças climáticas, já que geleiras no Himalaia têm se tornado cada vez mais instáveis devido ao derretimento acelerado. Especialistas alertam que episódios como este podem se repetir em outras regiões montanhosas do mundo.

Enquanto as buscas continuam, a população local tenta se reerguer. Muitos perderam familiares e lares, e a reconstrução deve levar meses, se não anos. A solidariedade internacional é fundamental, mas o tempo urge: a cada hora sem resgate, as chances de encontrar sobreviventes diminuem. O Nepal, acostumado a lidar com terremotos e enchentes, agora enfrenta um novo tipo de ameaça, cujas consequências ainda são difíceis de mensurar.

Autoridades prometem atualizações a cada 12 horas, mas a incerteza domina o dia a dia dos atingidos. A pergunta que fica é: quantas outras geleiras estão prestes a ceder?