AO VIVO
Tocantins

Moradores do Sá Viana vivem sob ameaça de deslizamentos em Palmas

Bairro na capital tem 5.844 pessoas em 87 áreas de risco segundo levantamento da Sudec e Semusc 2024

📝 Redação CCN18 de junho de 2026 às 12:30👁 4 leituras
Moradores do Sá Viana vivem sob ameaça de deslizamentos em Palmas

No bairro Sá Viana, em Palmas, famílias convivem diariamente com o medo de deslizamentos. Com casas construídas em encostas e barrancos, moradores relatam fissuras nas paredes e desníveis no chão, sinais claros de que o solo não oferece segurança. O problema não é novo, mas ganhou contornos mais urgentes depois que a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e a Superintendência de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Sudec) mapearam 87 áreas de risco na capital, onde vivem 5.844 pessoas.

O levantamento, feito com base em dados atualizados este ano, coloca o Sá Viana entre os bairros mais críticos da cidade. Em visitas técnicas, equipes identificaram não apenas casas em situação precária, mas também vielas estreitas e sem estrutura para escoamento de água, o que agrava o problema em dias de chuva. "A gente sente o chão tremer quando chove forte. As paredes racham e a gente não sabe o que fazer", desabafou Maria das Graças, moradora há 12 anos na Rua das Camélias, uma das vias mais afetadas.

O cenário é ainda mais preocupante porque muitas famílias não têm condições de se mudar. Com renda limitada, elas recorrem a soluções improvisadas: calços de madeira nos pilares, sacos de areia nas portas e até mesmo contenções com pneus velhos para tentar conter a terra. "A prefeitura já veio aqui uma vez, mas só falou em vistoria. Não deu solução nenhuma", contou João Silva, que mora em uma casa de dois cômodos com a esposa e dois filhos.

Os números mostram que o problema não é isolado. Das 87 áreas de risco mapeadas em Palmas, 12 estão concentradas no Sá Viana, segundo a Sudec. A Semusc, responsável pelo monitoramento, já registrou pelo menos três ocorrências de deslizamentos parciais no bairro desde 2022, sem vítimas, mas com danos materiais significativos. Em um dos casos, uma casa teve parte do muro derrubada pela força da terra, obrigando a família a dormir na casa de parentes enquanto aguardava reparos.

As autoridades locais admitem a gravidade, mas reconhecem que as ações são lentas. A Sudec informou que o mapeamento das áreas de risco é apenas o primeiro passo para um plano de reassentamento, ainda em fase de estudo. "Estamos priorizando as áreas mais críticas, mas o processo depende de recursos e parcerias", afirmou o superintendente da Sudec, Carlos Alberto Lima. A Semusc, por sua vez, disse que já realizou vistorias em 60% das áreas mapeadas, mas não detalhou quando ou como serão feitas as intervenções definitivas.

Para os moradores, a espera já dura tempo demais. "A gente não pode esperar mais. Se chover forte hoje, pode ser que a casa não aguenta", alertou Maria das Graças. Enquanto isso, a prefeitura de Palmas mantém um cadastro de famílias em situação de risco, mas o número de inscritos supera em muito a capacidade de atendimento. Em 2023, apenas 15 famílias foram reassentadas em todo o município, um número irrisório diante da demanda.

A situação no Sá Viana reflete um problema maior em Palmas, onde mais de 30 bairros apresentam algum grau de risco geológico. A falta de planejamento urbano nas décadas de 1980 e 1990, quando a cidade foi expandida de forma acelerada, é apontada como uma das causas. Hoje, a ocupação irregular em áreas impróprias para moradia se tornou um ciclo difícil de quebrar.

Enquanto não há soluções definitivas, os moradores seguem se organizando. Em assembleias comunitárias, eles discutem formas de pressionar o poder público e até mesmo buscar apoio de ONGs e universidades para estudos técnicos. "A gente não pode ficar parado esperando. Se a prefeitura não age, a gente tem que agir", disse João Silva, que agora faz parte de um grupo de moradores que cobra respostas da administração municipal.

A reportagem tentou contato com a prefeitura de Palmas para saber quais são os próximos passos, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno sobre um cronograma de ações ou recursos destinados ao problema. O que se sabe é que, sem investimentos urgentes, o número de áreas de risco tende a crescer, colocando ainda mais famílias em situação de vulnerabilidade.