Moradora acusa Prefeitura de destruir espaço cultural em Araguaína
Denúncia envolve obra de passagem de ônibus para show de cantora no bairro Santa Luzia
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Uma moradora de Araguaína, no norte do Tocantins, denunciou na manhã desta terça-feira que a Prefeitura local destruiu um espaço cultural para abrir caminho para a passagem de um ônibus que transportava a cantora Anitta. O caso ocorreu no bairro Santa Luzia, região periférica da cidade, e foi registrado em vídeo pela própria denunciada, que se identificou como moradora da área afetada.
Segundo a denúncia, a obra teria sido iniciada sem aviso prévio aos moradores e sem qualquer consulta à comunidade. O terreno, que abrigava uma pequena área de lazer com árvores e bancos, foi completamente removido para dar lugar a uma via de acesso temporário. A moradora afirmou que a intervenção aconteceu na madrugada de segunda para terça-feira, quando a maioria dos moradores ainda dormia. "Eles chegaram com máquinas e começaram a derrubar tudo. Não avisaram ninguém, não pediram licença. Só soubemos quando ouvimos o barulho das escavadeiras", relatou a mulher, que preferiu não se identificar por medo de represálias.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a publicação do vídeo, que mostra máquinas pesadas demolindo o espaço enquanto moradores observam, visivelmente revoltados. Nas imagens, é possível ver a estrutura de concreto do local sendo esmagada e os bancos sendo jogados em um caminhão. A Prefeitura de Araguaína ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio, mas a Secretaria Municipal de Obras confirmou que uma via temporária está sendo construída na região para facilitar o acesso ao local do show de Anitta, agendado para esta quarta-feira.
A obra, segundo a moradora, não só destruiu o espaço cultural como também danificou uma calçada próxima, deixando moradores sem condições de circulação. "Agora temos que sair pela rua principal, que é mais perigosa, porque a calçada está toda quebrada. E o pior é que esse espaço era o único lugar que a gente tinha para sentar e conversar", desabafou. A denúncia foi encaminhada à Ouvidoria Municipal, que informou estar apurando os fatos. A secretária municipal de Cultura, Maria das Graças, não retornou os pedidos de entrevista feitos pela reportagem.
Para os moradores, o episódio reforça a falta de diálogo da gestão municipal com as comunidades. "A Prefeitura age como se a cidade fosse deles sozinhos. Não perguntam nada para a gente, só fazem o que querem", criticou um comerciante local, que pediu para não ser identificado. A situação também levantou questionamentos sobre o uso de áreas públicas para eventos privados, especialmente quando isso afeta o cotidiano dos moradores.
A Prefeitura de Araguaína, por meio de nota, afirmou que a obra é temporária e que o espaço será recuperado após o evento. No entanto, moradores duvidam da promessa. "Eles já prometeram isso antes e nunca cumpriram. Agora destruíram o que a gente tinha", disse outra moradora, que mora há mais de dez anos no bairro. A reportagem tentou contato com a assessoria da cantora Anitta, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
O caso coloca em xeque não apenas a gestão municipal de Araguaína, mas também a relação entre poder público e sociedade no Tocantins. Em um estado onde a participação popular ainda é incipiente, episódios como este reforçam a sensação de que as decisões são tomadas de cima para baixo, sem considerar as necessidades reais das comunidades. A destruição de um espaço cultural, mesmo que temporária, deixa marcas profundas em uma região onde o lazer e a cultura são escassos.
A Ouvidoria Municipal informou que irá vistoriar o local nos próximos dias para verificar os danos e cobrar explicações da Prefeitura. Enquanto isso, moradores do Santa Luzia já se organizam para cobrar reparações e, se necessário, acionar o Ministério Público. A pergunta que fica é: até quando a população terá que arcar com os custos de obras que beneficiam poucos em detrimento de muitos?