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Obra no Espaço Cultural de Tocantinópolis gera revolta em moradores

Moradora denuncia derrubada de árvores e bancos no Beira-Rio para passagem de ônibus de show da cantora no aniversário da cidade

📝 Redação CCN02 de julho de 2026 às 17:14👁 1 leituras
Obra no Espaço Cultural de Tocantinópolis gera revolta em moradores

Moradores de Tocantinópolis, no norte do Tocantins, estão revoltados com uma obra que está destruindo parte do Espaço Cultural Beira-Rio, às margens do Rio Tocantins. A intervenção, que já derrubou árvores e bancos, foi feita para facilitar o acesso de um ônibus ao palco onde será realizado um show em comemoração ao aniversário da cidade, no dia 27 de julho.

A moradora Nayane Januário, que mora próximo ao local, foi a primeira a perceber as mudanças. Segundo ela, a prefeitura não avisou ninguém sobre a obra, que começou há poucos dias. "Eles derrubaram árvores que davam sombra e bancos onde as pessoas sentavam para descansar. Tudo isso para abrir espaço para um ônibus passar? Isso não faz sentido", desabafou Nayane, que mora no bairro Centro, a poucos metros do espaço cultural.

O Espaço Cultural Beira-Rio é um dos pontos mais frequentados da cidade, especialmente nos finais de semana. Além de ser um local de lazer para famílias, o local também recebe eventos culturais e shows. A obra, no entanto, está deixando moradores preocupados com a preservação do espaço. "Esse lugar é importante para a gente. Não pode ser destruído assim, de uma hora para outra, sem diálogo", afirmou outra moradora, que preferiu não se identificar.

A prefeitura de Tocantinópolis, quando procurada, não se manifestou sobre o caso. O secretário de Cultura do município, que não quis dar entrevistas, apenas confirmou que a obra está sendo feita para melhorar o acesso ao palco do show do aniversário da cidade. "É uma obra rápida, só para facilitar a logística do evento", disse um funcionário da secretaria, que pediu para não ser identificado.

O show da cantora no aniversário da cidade é um dos principais eventos do calendário local. A apresentação está marcada para o dia 27 de julho, data em que Tocantinópolis comemora mais um ano de emancipação. A obra, no entanto, está gerando mais discussão do que comemoração entre os moradores.

Para os tocantinopolitanos, a situação levanta questões sobre o planejamento da cidade. Obras como essa, que afetam espaços públicos sem consulta prévia, são comuns em períodos de festas, mas sempre deixam marcas. "A gente vê isso acontecer toda hora: obras de última hora que acabam com o que a gente tem de mais valioso, que é o nosso espaço público", comentou um comerciante do Centro.

A Defensoria Pública do Tocantins já foi acionada por moradores para verificar se a obra está sendo feita dentro das normas ambientais. "Vamos analisar se houve irregularidades, como supressão de vegetação sem autorização", afirmou um defensor público, que não quis se identificar. A prefeitura ainda não se pronunciou sobre o caso.

Enquanto isso, os moradores seguem mobilizados. Alguns já começaram a organizar uma reunião com a prefeitura para cobrar explicações e, quem sabe, reverter parte dos danos. "A gente não pode ficar parado enquanto eles destroem o nosso lugar", disse Nayane.

A situação em Tocantinópolis serve de alerta para outras cidades do Tocantins. Obras de última hora, sem planejamento e sem diálogo com a população, podem gerar conflitos e prejuízos irreversíveis. Enquanto o aniversário da cidade se aproxima, a pergunta que fica é: até que ponto a pressa por um evento vale a destruição de um espaço que pertence a todos?