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Irã acusa Trump de usar pressão econômica como distração

Ministro iraniano diz que 'Dia D Econômico' dos EUA só trará mais prejuízos a Washington; Trump já havia descartado negociações

📝 Redação CCN20 de agosto de 2026 às 10:52👁 2 leituras
Irã acusa Trump de usar pressão econômica como distração

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou nesta quinta-feira (20) a ofensiva econômica lançada pelo governo dos Estados Unidos contra Teerã como uma estratégia para desviar a atenção dos problemas internos americanos. Em tom firme, ele afirmou que a medida, anunciada por Donald Trump na quarta-feira (19), não passaria de uma jogada política condenada ao fracasso.

Araqchi não poupou críticas ao presidente norte-americano, alegando que a chamada "operação econômica mais esmagadora" — como Trump definiu o pacote de sanções — só iria reforçar a derrota dos EUA no cenário internacional. Segundo o chanceler iraniano, a pressão adicional sobre o país persa não traria resultados concretos, mas sim mais prejuízos para Washington. A declaração veio em meio a um clima de tensão crescente entre as duas nações, após meses de troca de farpas e ameaças.

A ofensiva econômica dos EUA contra o Irã já vinha sendo gestada há semanas, com Trump prometendo medidas duras para conter o que classifica como ameaças regionais. Na quarta-feira, ele anunciou o que chamou de "ação mais agressiva já vista" contra o país, sem detalhar os termos exatos da sanção, mas deixando claro que o objetivo era sufocar a economia iraniana. A decisão, no entanto, foi recebida com ceticismo por analistas internacionais, que questionam sua eficácia real.

Para o Irã, a estratégia americana não passa de um blefe. Araqchi reforçou que o país está preparado para enfrentar as consequências, mesmo que isso signifique isolamento prolongado. Em sua avaliação, a manobra de Trump não só falhará em seus objetivos, como ainda poderá isolar ainda mais os Estados Unidos no tabuleiro geopolítico.

A escalada de tensões entre os dois países ganhou força após a decisão de Trump de abandonar o acordo nuclear de 2015, que havia sido firmado com outras potências mundiais. Desde então, Washington tem aplicado uma série de sanções ao Irã, incluindo restrições ao setor petrolífero e ao sistema bancário. O governo iraniano, por sua vez, respondeu com medidas retaliatórias, como a redução de compromissos no acordo e a ameaça de fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.

Ainda não está claro como a comunidade internacional reagirá à nova ofensiva econômica. Enquanto alguns países, como a Rússia e a China, já manifestaram apoio ao Irã, outros, como os europeus, tentam mediar um diálogo. A União Europeia, por exemplo, tem buscado formas de contornar as sanções americanas para manter o comércio com Teerã, mas enfrenta dificuldades práticas.

O que se sabe é que a estratégia de Trump não deve trazer alívio rápido para os problemas econômicos dos EUA, como inflação e desemprego. Pelo contrário, analistas temem que a medida possa agravar ainda mais as relações comerciais globais, já afetadas por guerras tarifárias e incertezas políticas.

O próximo passo dependerá da reação do Irã. Se Teerã optar por endurecer sua postura, como já fez em ocasiões anteriores, a crise poderá se prolongar. Caso contrário, a diplomacia poderá encontrar um caminho, ainda que estreito, para evitar um confronto maior. Por enquanto, uma coisa é certa: a tensão entre Washington e Teerã não dá sinais de arrefecer.