Enchentes no Nepal deixam rastro de destruição e luto
Ao menos 157 mortos e centenas desaparecidos após enxurradas repentinas atingirem o país asiático

As águas subiram tão rápido que não houve tempo para reagir. Em questão de minutos, casas foram arrastadas, estradas desapareceram e vidas foram ceifadas pelas enxurradas que atingiram o Nepal no fim de semana. O balanço oficial já contabiliza 157 mortos, mas o número de desaparecidos supera a casa das centenas, enquanto sobreviventes lutam para encontrar parentes entre os escombros.
O desastre começou com chuvas torrenciais que caíram sobre a região central do país, transformando rios em paredes de água e arrastando tudo o que encontravam pela frente. Autoridades locais descreveram a situação como "uma das piores tragédias dos últimos anos", com comunidades inteiras isoladas pela força das correntezas. Em algumas áreas, a água atingiu mais de três metros de altura, engolindo casas de alvenaria e arrastando veículos como se fossem brinquedos.
Os relatos dos que conseguiram escapar são de puro desespero. "Minha casa desabou e minha irmã está desaparecida", contou um homem que pediu para não ser identificado, enquanto vasculhava os destroços com as mãos. Outra sobrevivente, uma mulher de cerca de 30 anos, chorava ao mostrar fotos de familiares que ainda não haviam sido localizados. "A gente ouvia gritos, mas não dava para ajudar. A água levou tudo", afirmou, com a voz embargada.
As equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar aos locais mais afetados. Pontes destruídas e estradas interditadas deixam comunidades sem acesso a água, comida ou medicamentos. O governo nepalês pediu ajuda internacional, enquanto voluntários se organizam para distribuir mantimentos e roupas aos desabrigados. "Não temos ideia de quantas pessoas ainda estão presas sob os escombros", declarou um porta-voz da polícia local.
Até o momento, 157 corpos foram recuperados, mas as autoridades temem que o número de vítimas aumente nas próximas horas. Centenas de pessoas ainda são dadas como desaparecidas, e a busca continua em meio ao mau tempo. "Cada minuto conta, mas as condições são extremas", admitiu um oficial da defesa civil.
A tragédia reacendeu discussões sobre a falta de infraestrutura para lidar com enchentes no país. Especialistas em gestão de riscos já haviam alertado para a vulnerabilidade de áreas próximas a rios e encostas, mas pouco foi feito para evitar o pior. Agora, com as estradas bloqueadas e as comunicações interrompidas, a prioridade é salvar vidas.
Enquanto o Nepal chora seus mortos, o mundo observa atônito a dimensão da catástrofe. A solidariedade internacional começa a se mobilizar, mas a reconstrução será longa e dolorosa. Para as famílias atingidas, o luto mal começou.
As autoridades ainda não divulgaram um balanço definitivo, mas o cenário é de devastação. A chuva parou, mas as consequências da enxurrada continuarão por muito tempo.