Minerva projeta alta no preço do boi até o fim do ano
Diretoria da empresa aponta retomada de demanda da China e dos EUA como fator decisivo para a virada de preços

O diretor financeiro da Minerva Foods, Edison Ticle, anunciou nesta quinta-feira (27/8) que os preços do boi gordo devem se recuperar até o final do ano. A expectativa é de que a demanda internacional, especialmente da China e dos Estados Unidos, impulsione a valorização do produto no mercado interno.
A queda recente nos preços do boi gordo no Brasil, que vinha pressionando os produtores, deve ser revertida nos próximos meses. Segundo Ticle, a retomada está diretamente ligada ao aumento das exportações para os dois maiores compradores globais de carne bovina. A China, que já é o principal destino das vendas externas brasileiras, deve manter sua demanda aquecida, enquanto os EUA, tradicional mercado de cortes premium, também sinalizam maior interesse.
A recuperação não será imediata, mas a expectativa é de que os preços comecem a subir ainda em setembro, com reflexos mais nítidos em outubro e novembro. Para os pecuaristas, isso significa uma oportunidade de recompor margens após meses de preços pressionados pela oferta excessiva e pela queda no consumo interno. A Minerva, que opera em diversos estados brasileiros, já projeta um volume maior de vendas para o exterior nos próximos trimestres, o que deve ajudar a equilibrar o mercado.
A declaração de Ticle reforça a análise de que o setor enfrenta um ciclo de ajustes. Nos últimos meses, a queda nos preços do boi gordo chegou a superar 20% em algumas regiões, afetando diretamente a rentabilidade dos produtores. A recuperação, no entanto, depende não apenas da demanda externa, mas também da capacidade de o setor conter a oferta de animais terminados, evitando novos excessos que possam derrubar os valores novamente.
O executivo não detalhou números específicos, mas destacou que a empresa já vem ajustando suas estratégias comerciais para aproveitar o momento. A Minerva, uma das maiores exportadoras de carne bovina do país, tem investido em mercados alternativos e na diversificação de cortes para reduzir a dependência de um único destino. A aposta agora é que a combinação entre demanda internacional e controle da oferta local possa sustentar a alta dos preços até o fim do ano.
Para os próximos meses, a atenção do setor estará voltada para dois fatores: o ritmo das exportações e a evolução dos custos de produção. Com a safra de grãos em andamento e a perspectiva de preços mais estáveis para insumos como milho e soja, os pecuaristas podem reduzir despesas e aumentar a competitividade. A Minerva, por sua vez, deve manter sua política de preços agressiva para garantir participação nos mercados asiático e norte-americano, onde a competição com outros exportadores, como Austrália e Estados Unidos, é acirrada.
Ainda não há consenso entre analistas sobre o quanto os preços podem subir, mas a tendência é de que o mercado se estabilize gradualmente. Enquanto isso, produtores e frigoríficos aguardam os próximos indicadores para definir suas estratégias de comercialização. A recuperação, caso se confirme, deve trazer alívio para um setor que vem operando com margens apertadas desde o início do ano.