Indústria cobra planos para mineração e logística em debate com candidatos
Pregão da Federação das Indústrias do Tocantins reuniu postulantes ao Palácio Araguaia em Palmas

A mineração, a inovação tecnológica e a logística foram os temas que mais dividiram os candidatos ao Governo do Tocantins durante um debate promovido pela Federação das Indústrias do Estado (FIETO) na noite de ontem, no auditório da entidade, no Centro de Palmas. O evento, que reuniu os principais nomes da disputa eleitoral, mostrou como o setor produtivo local cobra respostas concretas para problemas que afetam diretamente o cotidiano das empresas e da população tocantinense.
O encontro, que durou cerca de duas horas, foi marcado por cobranças sobre a falta de políticas públicas para o setor mineral, que tem potencial ainda pouco explorado no estado. Os candidatos foram questionados sobre como pretendem destravar projetos de mineração que esbarram em burocracia e falta de infraestrutura. Além disso, a discussão sobre tecnologia ganhou força, com pedidos para que o governo estadual invista em qualificação profissional e incentive startups, especialmente na área de agronegócio e energia. A logística, por sua vez, foi o ponto mais polêmico: os empresários cobraram soluções para a BR-153, que segue com trechos críticos, e para a Ferrovia Norte-Sul, cuja conclusão no Tocantins poderia reduzir custos de transporte para indústrias e produtores rurais.
Para quem vive no Tocantins, as respostas dadas pelos candidatos têm peso real. Em cidades como Gurupi, onde a agroindústria é forte, a falta de escoamento eficiente da produção encarece os produtos e reduz a competitividade. Em Porto Nacional, a expectativa é que a Ferrovia Norte-Sul, quando concluída, possa escoar grãos e minérios com mais agilidade, beneficiando cooperativas e empresas locais. Já em Araguaína, a BR-153 segue como um gargalo que atrapalha o escoamento da soja e do milho para portos do Norte e Nordeste. Os candidatos, por sua vez, apresentaram propostas como a criação de um fundo estadual para infraestrutura logística e a desburocratização de licenças ambientais para mineração, mas sem detalhes sobre como viabilizar essas medidas.
Os números mostram por que a pauta é urgente. Segundo dados da FIETO, o Tocantins tem mais de 500 empresas registradas no setor mineral, mas apenas 30% delas operam com regularidade plena. Na logística, o estado perde cerca de R$ 200 milhões por ano com atrasos no escoamento de cargas, segundo estimativa da Confederação Nacional do Transporte (CNT). No campo da tecnologia, o Tocantins ocupa a 24ª posição no ranking de inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, com apenas 12 incubadoras de startups ativas no estado.
Durante o debate, o candidato do PSD, Wanderlei Barbosa, defendeu a criação de um programa estadual de incentivo à mineração artesanal e de pequeno porte, com linhas de crédito facilitadas. "O Tocantins tem jazidas de ouro, calcário e outros minerais que podem gerar emprego e renda, mas falta apoio para que os pequenos mineradores se formalizem", afirmou. Já a candidata do PT, Kátia Siqueira, propôs a criação de um polo tecnológico em Palmas, com foco em soluções para o agronegócio, e cobrou a conclusão da Ferrovia Norte-Sul como prioridade. "Sem logística eficiente, não há desenvolvimento", declarou. O candidato do PL, Ronaldo Dimas, destacou a necessidade de parcerias público-privadas para modernizar portos fluviais, como o de Peixe, e reduzir custos de exportação.
O evento deixou claro que, independentemente de quem vencer a eleição, o setor industrial não vai baixar a guarda. A FIETO já anunciou que deve cobrar um plano de ação detalhado dos candidatos eleitos nos próximos 30 dias, com metas mensuráveis para cada área. Enquanto isso, empresários de todo o estado aguardam respostas que possam tirar projetos do papel e, finalmente, trazer mais dinamismo à economia tocantinense.
A próxima rodada de debates está marcada para a próxima semana, quando os candidatos serão questionados sobre saúde, educação e segurança pública — temas que também afetam diretamente a vida dos tocantinenses.