Justiça nega depoimento em caso do milionário por engano no TO
Motorista aguarda indenização de R$ 131 milhões após erro bancário em 2023

O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) manteve a decisão de não permitir o depoimento de testemunhas no processo do motorista que recebeu R$ 131,8 milhões por engano do Bradesco em 2023. Antônio Pereira do Nascimento, que devolveu o valor em menos de 24 horas, espera há um ano pela indenização que pleiteia contra o banco. A rejeição do recurso da defesa, apresentado em junho, encerra mais uma etapa do caso que já dura mais de um ano e meio.
O erro aconteceu em outubro de 2023, quando o Bradesco creditou por engano o valor milionário na conta de Antônio. Ele devolveu o dinheiro no mesmo dia, mas entrou com ação judicial para cobrar indenização por danos morais e materiais. A defesa do banco argumentou que testemunhas poderiam esclarecer o ocorrido, mas o TJTO considerou que não havia necessidade de ouvi-las. O processo agora segue para a fase de perícia e análise de provas documentais, sem previsão de julgamento.
Para quem acompanha casos judiciais no Tocantins, a demora é um ponto de atenção. O caso de Antônio não é isolado: erros bancários como esse costumam gerar longas disputas, especialmente quando envolvem valores altos. Em 2022, outro correntista do Bradesco em Palmas também recebeu R$ 1 milhão por engano e só conseguiu reaver parte do dinheiro após meses de batalha judicial. A lentidão do sistema pode afetar não apenas quem busca reparação, mas também a imagem das instituições financeiras no estado.
O Bradesco não se pronunciou publicamente sobre o caso desde a devolução do dinheiro. Antônio, por sua vez, mantém a expectativa de que a justiça seja feita. Enquanto isso, o TJTO já definiu que o próximo passo é a realização de uma perícia contábil para verificar se o banco agiu com negligência. A decisão final ainda pode demorar meses, ou até anos, dependendo dos trâmites processuais.
O que resta aos moradores do Tocantins é acompanhar o desfecho de um caso que expõe fragilidades no sistema bancário e a morosidade da Justiça estadual. Se a indenização for concedida, será mais um precedente para futuras ações semelhantes. Se não, reforçará a ideia de que, mesmo com erros graves, os bancos têm vantagens no Judiciário local.