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Milho dispara em Chicago com temor de safra fraca nos EUA

Futuros do cereal atingem maior nível em 18 meses após avaliação de lavouras no Meio-Oeste americano

📝 Redação CCN21 de agosto de 2026 às 01:34👁 7 leituras
Milho dispara em Chicago com temor de safra fraca nos EUA

Os contratos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago fecharam nesta quinta-feira (20) no maior patamar em 18 meses. A alta refletiu o receio de produtores e analistas com o potencial de colheita nos principais estados agrícolas dos Estados Unidos, especialmente após uma rodada de visitas técnicas às lavouras do Meio-Oeste.

O movimento foi puxado por relatórios preliminares que indicam perdas significativas em algumas regiões-chave, onde a seca e o calor excessivo já começam a comprometer o desenvolvimento das plantas. Em Illinois, um dos maiores produtores nacionais, técnicos identificaram áreas com estresse hídrico avançado, enquanto em Iowa, o principal estado produtor, os índices de umidade do solo estão abaixo da média histórica para esta época do ano. A combinação de fatores climáticos adversos e a proximidade do início da colheita — prevista para agosto — acendeu o sinal amarelo entre os agentes do mercado.

A soja, commodity que divide espaço nas mesmas lavouras, também sentiu o impacto. Os contratos futuros chegaram a subir logo no início do pregão, mas perderam força ao longo do dia, após a divulgação de dados técnicos que não confirmaram o otimismo inicial. Analistas atribuíram a volatilidade à incerteza sobre o ritmo de plantio e a produtividade das lavouras, que dependem diretamente das condições climáticas nas próximas semanas.

Para quem depende da safra americana, o cenário é de alerta. Compradores globais, especialmente aqueles que atuam em mercados emergentes, já começam a buscar alternativas para garantir o abastecimento, temendo um novo choque nos preços. A última grande crise no setor ocorreu em 2022, quando uma seca severa reduziu a produção em quase 20% e levou os preços a patamares recordes. Desta vez, o governo dos EUA ainda não emitiu alertas oficiais, mas a Bolsa de Chicago já precifica um prêmio de risco nas cotações.

Os números do dia mostram que o contrato de milho para setembro fechou a US$ 5,25 por bushel, alta de 2,3% em relação ao fechamento anterior. No acumulado da semana, a valorização chega a 4,5%, enquanto a soja para novembro recuou 0,8%, fechando em US$ 12,60 por bushel. As cotações ainda estão distantes dos picos de 2022, mas a trajetória ascendente acende o sinal vermelho para quem negocia commodities agrícolas.

O que vem pela frente depende, em grande parte, das próximas semanas. Se as chuvas não chegarem a tempo, a safra americana pode encolher ainda mais, pressionando os estoques globais. Para os produtores locais, a dúvida é se vale a pena segurar a comercialização ou vender imediatamente, aproveitando os preços atuais antes de uma eventual queda. Enquanto isso, no Meio-Oeste, os tratores já começam a preparar o solo para a próxima safra, mas o clima segue como o maior inimigo.