Milho dispara em Chicago e bate recorde de três anos
Contratos futuros do cereal na bolsa americana atingem máxima histórica por queda na safra dos EUA

Os contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago fecharam nesta segunda-feira com a maior cotação dos últimos três anos. O movimento veio após uma expedição técnica à principal região produtora do grão nos Estados Unidos revelar que a safra local está em condições piores do que as estimativas iniciais. O dado surpreendeu o mercado, que já vinha ajustando suas projeções para baixo nas últimas semanas.
A queda na produção americana se deve, em grande parte, ao clima adverso que atingiu as lavouras durante o ciclo de desenvolvimento da cultura. Chuvas abaixo da média em junho e julho, seguidas por uma onda de calor intenso em agosto, reduziram o potencial produtivo das espigas. Além disso, pragas e doenças fúngicas se proliferaram em áreas onde o estresse hídrico já era evidente. Segundo relatórios preliminares, a safra de milho nos EUA deve ficar 12% abaixo do volume colhido no ano passado, o que representa cerca de 30 milhões de toneladas a menos.
O impacto imediato é sentido nos preços globais do cereal. Com a oferta reduzida, os estoques mundiais devem encolher, pressionando os mercados. Para os consumidores, isso significa preços mais altos nos supermercados, especialmente em produtos derivados do milho, como óleos, farinhas e rações animais. Indústrias de alimentos e pecuaristas já começam a se preparar para custos maiores, o que pode refletir em reajustes nos preços finais ao consumidor nos próximos meses.
Os números da Bolsa de Chicago mostram que o contrato futuro do milho para dezembro subiu 4,2% nesta segunda-feira, fechando a US$ 5,87 por bushel. O valor representa um salto de 37% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a cotação estava em US$ 4,28. Analistas do setor alertam que, se as condições climáticas não melhorarem nas próximas semanas, a tendência é de alta nos preços, podendo superar US$ 6 por bushel até o final do ano.
A situação nos EUA também afeta diretamente o Brasil, maior exportador global de milho. Com a queda na produção americana, o país tende a aumentar suas exportações para atender a demanda internacional. No entanto, a safra brasileira também enfrenta desafios: a segunda safra, conhecida como safrinha, foi prejudicada pela seca no Centro-Oeste, o que pode limitar o volume disponível para exportação. A combinação de menor oferta nos EUA e no Brasil deve manter os preços firmes no mercado internacional, beneficiando produtores locais, mas encarecendo os custos para indústrias e consumidores finais.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve revisar suas projeções para a safra americana ainda este mês. A expectativa é de que o órgão confirme a redução na produção e, possivelmente, aumente as estimativas de importação do cereal. Enquanto isso, traders e fundos de investimento monitoram de perto os relatórios semanais de colheita, que podem trazer novas surpresas. A volatilidade nos preços deve persistir até que as lavouras americanas sejam totalmente colhidas, o que deve ocorrer até novembro.
Para os próximos dias, o mercado aguarda com atenção os dados de exportação dos EUA e os estoques finais da safra 2023/2024. Qualquer novo ajuste nas projeções pode gerar mais oscilações nos contratos futuros. Enquanto isso, governos e empresas do setor agrícola já começam a discutir medidas para mitigar os efeitos da alta nos preços, como a liberação de estoques estratégicos ou a adoção de políticas de subsídio para produtores de menor porte.