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Milho dispara em Chicago e bate recorde de três anos

Contratos futuros do cereal na bolsa americana atingem máxima histórica por queda na safra dos EUA

📝 Redação CCN24 de agosto de 2026 às 21:44👁 2 leituras
Milho dispara em Chicago e bate recorde de três anos

Os contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago fecharam nesta segunda-feira com a maior cotação dos últimos três anos. O movimento veio após uma expedição técnica à principal região produtora do grão nos Estados Unidos revelar que a safra local está em condições piores do que as estimativas iniciais. O dado surpreendeu o mercado, que já vinha ajustando suas projeções para baixo nas últimas semanas.

A queda na produção americana se deve, em grande parte, ao clima adverso que atingiu as lavouras durante o ciclo de desenvolvimento da cultura. Chuvas abaixo da média em junho e julho, seguidas por uma onda de calor intenso em agosto, reduziram o potencial produtivo das espigas. Além disso, pragas e doenças fúngicas se proliferaram em áreas onde o estresse hídrico já era evidente. Segundo relatórios preliminares, a safra de milho nos EUA deve ficar 12% abaixo do volume colhido no ano passado, o que representa cerca de 30 milhões de toneladas a menos.

O impacto imediato é sentido nos preços globais do cereal. Com a oferta reduzida, os estoques mundiais devem encolher, pressionando os mercados. Para os consumidores, isso significa preços mais altos nos supermercados, especialmente em produtos derivados do milho, como óleos, farinhas e rações animais. Indústrias de alimentos e pecuaristas já começam a se preparar para custos maiores, o que pode refletir em reajustes nos preços finais ao consumidor nos próximos meses.

Os números da Bolsa de Chicago mostram que o contrato futuro do milho para dezembro subiu 4,2% nesta segunda-feira, fechando a US$ 5,87 por bushel. O valor representa um salto de 37% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a cotação estava em US$ 4,28. Analistas do setor alertam que, se as condições climáticas não melhorarem nas próximas semanas, a tendência é de alta nos preços, podendo superar US$ 6 por bushel até o final do ano.

A situação nos EUA também afeta diretamente o Brasil, maior exportador global de milho. Com a queda na produção americana, o país tende a aumentar suas exportações para atender a demanda internacional. No entanto, a safra brasileira também enfrenta desafios: a segunda safra, conhecida como safrinha, foi prejudicada pela seca no Centro-Oeste, o que pode limitar o volume disponível para exportação. A combinação de menor oferta nos EUA e no Brasil deve manter os preços firmes no mercado internacional, beneficiando produtores locais, mas encarecendo os custos para indústrias e consumidores finais.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve revisar suas projeções para a safra americana ainda este mês. A expectativa é de que o órgão confirme a redução na produção e, possivelmente, aumente as estimativas de importação do cereal. Enquanto isso, traders e fundos de investimento monitoram de perto os relatórios semanais de colheita, que podem trazer novas surpresas. A volatilidade nos preços deve persistir até que as lavouras americanas sejam totalmente colhidas, o que deve ocorrer até novembro.

Para os próximos dias, o mercado aguarda com atenção os dados de exportação dos EUA e os estoques finais da safra 2023/2024. Qualquer novo ajuste nas projeções pode gerar mais oscilações nos contratos futuros. Enquanto isso, governos e empresas do setor agrícola já começam a discutir medidas para mitigar os efeitos da alta nos preços, como a liberação de estoques estratégicos ou a adoção de políticas de subsídio para produtores de menor porte.