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Mestres do Universo surpreende ao abraçar o ridículo de He-Man

Filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta e prova que atualizar franquia dos anos 1980 pode dar certo

📝 Redação CCN02 de junho de 2026 às 10:29👁 2 leituras
Mestres do Universo surpreende ao abraçar o ridículo de He-Man

Depois de trailers questionáveis e da ideia duvidosa de ressuscitar um herói dos anos 1980, o novo filme de He-Man consegue o improvável: é divertido, colorido, engraçado e absolutamente ridículo. Exatamente como o desenho que o inspirou, mais de 40 anos depois do original.

A produção chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4), com a proposta de não levar a si mesma demasiado a sério. Num mercado saturado de adaptações de franquias clássicas que tentam desesperadamente parecer sérias e épicas, esse filme faz o caminho inverso. Abraça a cafonice que sempre caracterizou He-Man e transforma isso em seu maior trunfo.

Para quem cresceu nos anos 1980 e 1990 — ou descobriu o personagem depois — o contexto importa. He-Man foi fenômeno de merchandising mais que fenômeno narrativo. A série de animação tinha roteiros simples, diálogos questionáveis e uma estética que, em retrospecto, parecia saída de um anúncio de suplemento muscular. O herói mais forte do universo enfrentava vilões em cenários coloridos e absurdos, sempre com a moral da história reafirmada no final.

Muita gente desconfiava que uma adaptação cinematográfica tentaria "modernizar" tudo isso. Escurecer a paleta de cores. Tornar o tom mais sombrio e sério. Afinal, Hollywood tem tradição de fazer exatamente isso com propriedades intelectuais dos anos 1980. O filme, porém, resiste a essa tentação.

Em vez de envergonhar-se da origem Camp do material, abraça-a. O resultado é que o público — tanto quem nutre nostalgia quanto quem não tem conexão prévia com o personagem — consegue aproveitar sem ter que fingir que está vendo arte dramática. É entretenimento direto, sem culpa.

Isso marca diferença real numa indústria que costuma oferecer duas opções: adaptações que mutilam a fonte original para parecer "maduras", ou remakes que copiam tudo sem entender por que o original funcionava. O filme de He-Man encontra o equilíbrio. Mantém a identidade visual exuberante, o tom leve, mas eleva a qualidade de execução.

Para o público tocantinense que acompanha cinema de franquia — e Tocantins tem salas de cinema em Palmas e principais cidades que exibem blockbusters — essa pode ser uma opção refrescante no calendário de lançamentos. Não demanda envolvimento emocional profundo nem exige que você tenha visto sete filmes anteriores para entender a trama.

O impacto mais imediato é nos cinemas brasileiros nesta semana. Estamos numa época em que as pessoas precisam de motivos para sair de casa e ir ao cinema. Um filme divertido, colorido e que não toma a si mesmo sério demais pode atrair público que normalmente se sentiria intimidado pela densidade narrativa de produções "presunçosas".

No longo prazo, a lição que o filme oferece à indústria é mais profunda. Prova que franquias antigas podem ser ressuscitadas sem que seu material original seja desfigurado ou submetido a revisão moral. Às vezes, o caminho não é escurecer — é confiar no que funcionava e elevar a qualidade de entrega.

Para quem planeja ir ao cinema nesta semana, o filme oferece uma garantia simples: você vai rir. Pode ser rindo com, pode ser rindo de — mas vai divertir-se. Numa época em que muitas produções grandes levam a si mesmas com excesso de seriedade, Mestres do Universo lembra que cinema também serve para entreter sem pretensões intelectuais.