Carne bovina cai de preço no início de julho no Brasil
Varejo e atacado registram recuo nos cortes com vendas lentas e salários ainda por vir 05/07/2024

O mercado de carne bovina chegou a julho com o pé atrás. Depois de um junho que já vinha com sinais de desaquecimento, os preços dos cortes recuaram nas primeiras semanas do mês, enquanto as vendas no varejo seguem travadas. A queda nas médias gerais dos principais cortes — como alcatra, picanha e coxão mole — já é percebida tanto no atacado quanto nas gôndolas dos supermercados, segundo relatos de agentes do setor ouvidos pela imprensa especializada.
A virada do mês não trouxe o esperado fôlego para os açougues e redes de supermercados. Com o pagamento dos salários dos trabalhadores ainda pendente para o quinto dia útil, o consumo segue retraído, e os estoques estão se acumulando. "As bonificações do mês passado não foram suficientes para aquecer o mercado", afirmou um comerciante de Araguaína, no norte do Tocantins, que preferiu não se identificar. A lentidão nas vendas é atribuída, em parte, à incerteza econômica que ainda paira sobre o poder de compra das famílias, mesmo com a chegada do décimo terceiro salário em algumas categorias.
No atacado, a situação não é diferente. Os frigoríficos estão reduzindo os preços para tentar escoar a produção, mas a demanda fraca impede uma recuperação mais rápida. Segundo dados preliminares do setor, a queda nos preços chegou a 3% em média nos principais cortes, com algumas variações dependendo da região. Em Palmas, por exemplo, a alcatra, que chegou a custar R$ 38 o quilo no final de junho, agora é encontrada por R$ 36,50 em alguns estabelecimentos. A picanha, corte símbolo das churrascarias, também cedeu: de R$ 52 para R$ 49,90 em média.
Para o consumidor tocantinense, a notícia é boa no bolso, mas preocupa quem depende da cadeia produtiva. "Com os preços mais baixos, a gente consegue comprar um pouco mais, mas a renda está apertada", contou Maria Aparecida Silva, dona de casa em Gurupi. No entanto, para os pecuaristas e frigoríficos, a queda representa prejuízos. "A gente já vinha com margens apertadas, e agora a situação só piora", desabafou um produtor de bovinos de Porto Nacional, também no Tocantins.
O setor aguarda dois fatores para tentar reverter o quadro: o pagamento dos salários no início da segunda semana de julho e a reação do consumo no segundo semestre, tradicionalmente mais aquecido com as festas de julho e o Dia dos Pais. Até lá, a expectativa é de que os preços sigam pressionados, com possíveis novas quedas se a demanda não reagir.
Enquanto isso, os consumidores aproveitam para estocar cortes mais baratos, como a costela e o acém, que também tiveram queda nos preços. Mas a dúvida permanece: será que o mercado vai conseguir se reerguer antes que a situação piore para os produtores?