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Mendonça volta a trancar investigação sobre Ciro Nogueira

Senador é alvo de suspeitas da PF como receptor de vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro; sigilo é imposto novamente

📝 Redação CCN25 de junho de 2026 às 21:31👁 9 leituras
Mendonça volta a trancar investigação sobre Ciro Nogueira

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Mendonça Filho, determinou mais uma vez o sigilo em uma investigação da Polícia Federal que aponta o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como um dos principais beneficiários de vantagens indevidas oferecidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão, anunciada nesta semana, reacende as discussões sobre a transparência em casos que envolvem figuras públicas de alto escalão no Brasil.

A investigação, conduzida pela PF, tem como foco um esquema de repasses financeiros irregulares que, segundo apurações preliminares, teria como destino central o gabinete de Ciro Nogueira. Documentos e depoimentos colhidos pela corporação indicam que Vorcaro, dono de um banco de investimentos, teria utilizado contas offshore e empresas de fachada para ocultar o dinheiro, parte dele direcionado a políticos e assessores próximos ao senador. Mendonça Filho, ao justificar a manutenção do sigilo, alegou "necessidade de preservar a integridade das diligências" — uma justificativa que já foi usada em ocasiões anteriores para barrar o acesso público a informações sobre o caso.

O caso não é novo. Desde 2022, a PF investiga Vorcaro por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, mas a inclusão de Ciro Nogueira no rol de investigados só ganhou força após a prisão preventiva do banqueiro, em março deste ano. Na ocasião, a Justiça Federal do Piauí autorizou a medida com base em indícios de que Vorcaro teria atuado como "operador" de um esquema de corrupção que beneficiava parlamentares. Relatórios da PF mencionam transferências de valores superiores a R$ 5 milhões para contas controladas por terceiros ligados ao senador, mas até agora não há indícios de que o dinheiro tenha sido diretamente para seu patrimônio.

Para o Tocantins, a notícia não passa despercebida. Ciro Nogueira, embora eleito pelo Piauí, mantém laços políticos e financeiros com o estado, especialmente por meio de aliados que atuam em cargos estratégicos. Em 2022, por exemplo, o senador foi um dos principais articuladores da campanha de reeleição do governador Wanderlei Barbosa (Progressistas), que tem como vice-governador o deputado estadual Tiago Andrino — ambos do mesmo partido de Nogueira. A proximidade entre as lideranças do PP no Tocantins e no Piauí levanta questionamentos sobre possíveis reflexos da investigação na política local, ainda mais em um ano de eleições municipais.

A decisão de Mendonça Filho de manter o sigilo da investigação não é inédita. Em 2023, o ministro já havia barrado o acesso a documentos sobre outro caso envolvendo Ciro Nogueira, também relacionado a suspeitas de recebimento de vantagens indevidas. Na época, a Justiça determinou a quebra de sigilo, mas a PF só liberou trechos após pressão de veículos de comunicação. Agora, a estratégia de ocultar informações pode esbarrar em novas decisões judiciais, especialmente se a defesa de Vorcaro ou de terceiros envolvidos recorrerem à Justiça para exigir transparência.

O que se sabe até agora é que a PF já identificou pelo menos três contas bancárias no exterior vinculadas a laranjas que teriam repassado dinheiro a assessores de Ciro Nogueira. Em depoimentos, funcionários de Vorcaro afirmaram que o senador recebia relatórios mensais sobre os repasses, mas não há provas definitivas de que ele tenha conhecimento do esquema. A defesa do parlamentar, por sua vez, nega qualquer irregularidade e classifica as acusações como "perseguição política".

O próximo passo da investigação deve ser a análise de extratos bancários e a oitiva de testemunhas-chave, incluindo funcionários do banco de Vorcaro e assessores de Nogueira. A PF também deve pedir a quebra de sigilo telefônico de alguns envolvidos, mas a morosidade do processo — comum em casos que envolvem políticos — pode atrasar as conclusões. Enquanto isso, a sociedade segue sem respostas sobre o papel de Ciro Nogueira no esquema, e Mendonça Filho mantém sua postura de proteger os bastidores da apuração.

A situação coloca em xeque a credibilidade das instituições. Se por um lado a PF avança em suas investigações, por outro, a decisão de manter o sigilo alimenta especulações sobre uma possível blindagem a figuras poderosas. Em um país onde a impunidade ainda é uma chaga aberta, casos como este reforçam a sensação de que a Justiça age com luvas de pelica quando o alvo é o andar de cima.