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Justiça trava multas por riscos psicossociais no trabalho por 90 dias

Ministro suspende punições com base em norma federal por liminar; regras seguem válidas como orientação

📝 Redação CCN25 de junho de 2026 às 23:48👁 6 leituras
Justiça trava multas por riscos psicossociais no trabalho por 90 dias

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, suspendeu por 90 dias a aplicação de multas relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente laboral. A decisão, tomada por meio de liminar, impede que empresas sejam punidas com base na Norma Regulamentadora 1 (NR-1), mas mantém a norma como referência para orientar as relações de trabalho no país. A medida afeta diretamente empregadores e trabalhadores, gerando dúvidas sobre como lidar com questões como assédio, estresse excessivo e pressões psicológicas no cotidiano das empresas.

A NR-1, que trata de disposições gerais sobre saúde e segurança do trabalho, ganhou destaque nos últimos meses após a fiscalização do Ministério do Trabalho intensificar as autuações em empresas acusadas de negligenciar a saúde mental de seus funcionários. Empresas de diversos setores, incluindo o comércio e a indústria, passaram a ser alvo de autuações que, segundo a fiscalização, visavam coibir ambientes tóxicos e promover condições mais saudáveis. No entanto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entrou com uma ação judicial questionando a aplicação da norma, argumentando que a NR-1 não teria sido devidamente discutida com o setor produtivo antes de sua implementação. A liminar concedida pelo ministro atende a esse pedido, congelando temporariamente as penalidades enquanto o caso é julgado.

Para o Tocantins, a decisão tem reflexos indiretos, mas relevantes. Empresas locais que atuam em cadeias produtivas nacionais — como a agroindústria e o setor de serviços — precisam revisar seus protocolos de saúde ocupacional. A suspensão das multas não significa que os riscos psicossociais deixaram de ser uma preocupação. Pelo contrário: a NR-1 continua em vigor como um guia para as empresas, que devem seguir as orientações mesmo sem o risco imediato de punição. A fiscalização, no entanto, fica restrita a outros aspectos da norma, como a organização do trabalho e a prevenção de acidentes, enquanto o Judiciário não se posiciona definitivamente sobre o tema.

A liminar vale por 90 dias, mas o desfecho do processo pode redefinir como o Brasil lida com a saúde mental no trabalho. Se a decisão final confirmar a suspensão, o Ministério do Trabalho terá que revisitar a NR-1, possivelmente com maior participação do setor privado. Caso contrário, as empresas terão que se adaptar rapidamente a uma fiscalização mais rigorosa, que já vinha sendo aplicada em estados como São Paulo e Minas Gerais, onde autuações por riscos psicossociais já haviam sido registradas. A incerteza jurídica, no entanto, deixa empregadores em alerta: investir em programas de prevenção de assédio e estresse pode ser a única forma de evitar surpresas no futuro.

A decisão do ministro Marinho também levanta questões sobre a autonomia do Ministério do Trabalho para regulamentar normas sem um consenso prévio com os setores afetados. A CNI, que representa mais de 200 mil indústrias no país, alegou que a NR-1 foi implementada de forma abrupta, sem estudos de impacto ou discussões técnicas suficientes. Enquanto o Judiciário não define o rumo, empresas de todos os portes precisam equilibrar a conformidade com a norma e a segurança jurídica, especialmente em um momento em que a saúde mental dos trabalhadores ganha cada vez mais espaço nas pautas sociais.