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Polícia mira tráfico de armas e lavagem no TO e MA

Operação conjunta entre TO e MA mira pontos suspeitos de tráfico de armas e lavagem de dinheiro com início nesta segunda-feira

📝 Redação CCN20 de agosto de 2026 às 22:00👁 14 leituras
Polícia mira tráfico de armas e lavagem no TO e MA

A Polícia Civil do Tocantins e do Maranhão deflagrou nesta segunda-feira uma megaoperação para desarticular redes de tráfico de armas e lavagem de dinheiro que atuam em ambos os estados. A ação, batizada de "Operação Fênix", envolve mais de 300 policiais e cumpre 25 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão em cidades como Araguaína, no Tocantins, e Imperatriz, no Maranhão.

A investigação, que já dura oito meses, foi coordenada pelo Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DPJC) de Araguaína e pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros do Maranhão. Segundo informações obtidas pela reportagem, os alvos são suspeitos de comercializar armas de fogo ilegalmente e movimentar recursos ilícitos por meio de empresas de fachada. O delegado-geral do Tocantins, Eduardo Vilela, confirmou que a operação busca desmantelar uma estrutura que já teria facilitado a entrada de armas no Tocantins vindas do Maranhão, região conhecida por rotas de contrabando.

As buscas começaram às 6h desta manhã em endereços residenciais e comerciais. Em Araguaína, a Polícia Civil cumpriu mandados no Bairro São João e na Avenida Paraguai, áreas com histórico de ocorrências relacionadas a crimes violentos. No Maranhão, as ações se concentraram em bairros periféricos de Imperatriz, onde há relatos de comércio ilegal de armas. Até o momento, três pessoas foram presas em flagrante, duas em Araguaína e uma em Imperatriz, todas por tráfico de armas.

A operação também mira a lavagem de dinheiro, com suspeitas de que recursos obtidos com o tráfico fossem movimentados por meio de postos de combustíveis, lojas de eletrônicos e até clínicas médicas. A Polícia Civil informou que já foram apreendidos R$ 500 mil em espécie, além de dois veículos e três armas de fogo. Os valores e bens serão submetidos a perícia para comprovação da origem ilícita.

Para quem vive em Araguaína, a operação chega em um momento de tensão. A cidade, que já registrou aumento de 15% nos casos de roubo a mão armada no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins, é rota frequente de armas que entram pela fronteira com o Maranhão. Em 2023, a Polícia Civil apreendeu 127 armas de fogo na região, um recorde nos últimos cinco anos.

A operação também afeta diretamente o cotidiano de quem depende de serviços públicos. Em Araguaína, a Polícia Civil interditou temporariamente um posto de combustíveis na Avenida Paraguai, onde há suspeitas de envolvimento com a lavagem de dinheiro. O estabelecimento, que atende motoristas da BR-153 e da TO-010, teve suas atividades suspensas até que a perícia seja concluída.

Além disso, a operação pode ter reflexos na economia local. Em Imperatriz, uma das principais cidades do Maranhão, o comércio informal de armas movimenta milhões anualmente, segundo estimativas de especialistas ouvidos pela reportagem. A desarticulação da rede pode reduzir a oferta de armas no mercado ilegal, mas também pode gerar desemprego entre aqueles que atuavam na cadeia do tráfico.

A Polícia Civil do Tocantins informou que os presos serão encaminhados ao Presídio Regional de Araguaína, que já enfrenta superlotação. A delegada responsável pela operação, Fernanda Costa, afirmou que as investigações continuam e que novas prisões podem ocorrer nos próximos dias. "A operação não termina hoje. Estamos apenas no início de um trabalho que pode desmantelar uma das maiores redes de tráfico de armas que já atuou na região", declarou.

A Polícia Militar do Tocantins reforçou o policiamento nas rodovias que ligam Araguaína a outras cidades do estado, como Colinas do Tocantins e Filadélfia, para evitar possíveis represálias. No Maranhão, a Polícia Militar também aumentou a presença em pontos estratégicos de Imperatriz.

As investigações agora se concentram na identificação de possíveis mandantes e na rastreabilidade dos recursos apreendidos. A Polícia Civil informou que já foram identificados vínculos com grupos criminosos que atuam em outras regiões do Brasil, mas ainda não divulgou detalhes para não atrapalhar as investigações.

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, foi questionado sobre a operação durante coletiva de imprensa nesta manhã. Ele afirmou que o governo apoia ações que visem a segurança pública e destacou que o Tocantins tem investido em equipamentos e capacitação para as polícias. "A segurança é uma prioridade. Vamos continuar trabalhando para que o povo tocantinense possa viver com tranquilidade", declarou.

A operação segue em andamento e deve durar pelo menos mais 48 horas. A Polícia Civil não descarta a possibilidade de novas prisões e apreensões nos próximos dias.