Anestesiologistas suspendem eletivas na rede estadual
Coopanest interrompe serviços em cirurgias eletivas e mutirões na rede estadual de saúde do Tocantins a partir de quarta-feira, 9

Os médicos anestesiologistas do Tocantins suspenderam, a partir de quarta-feira, 9, os serviços ligados a cirurgias eletivas e à participação em mutirões na rede estadual de saúde. A medida atinge unidades próprias e conveniadas e abre uma nova frente de tensão na assistência hospitalar do estado.
A decisão foi anunciada pela Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Tocantins (Coopanest) depois de, segundo a entidade, a Secretaria da Saúde (Sesau) não ter regularizado pagamentos dentro do prazo estabelecido, mesmo após notificações enviadas anteriormente. Com o fim desse prazo sem o atendimento das exigências, a cooperativa informou que os procedimentos eletivos e outras atividades passaram a ficar suspensos.
Na prática, a paralisação alcança cirurgias e procedimentos eletivos, consultas e avaliações pré-anestésicas ambulatoriais, exames eletivos feitos com sedação ou anestesia e também mutirões cirúrgicos realizados à noite ou nos fins de semana. Para quem está na fila do SUS tocantinense, o efeito mais imediato é a incerteza sobre datas já aguardadas há semanas ou meses, especialmente em um momento em que a rede estadual costuma recorrer a mutirões para reduzir o acúmulo de demanda.
A suspensão também pesa sobre a rotina dos hospitais estaduais e conveniados, que dependem desses serviços para manter o fluxo de cirurgias planejadas. Quando a equipe de anestesia interrompe a atuação em procedimentos programados, a cadeia inteira da assistência sente o atraso: salas cirúrgicas ficam paradas, agendas são remarcadas e pacientes que se prepararam para operar precisam esperar nova definição.
A Coopanest afirmou que a retomada dos procedimentos eletivos e da participação nos mutirões depende da quitação das parcelas vencidas do Reconhecimento de Dívida e da regularização do faturamento referente aos últimos 90 dias. Essa é a condição apresentada pela cooperativa para reabrir o atendimento nas condições anteriores.
Até o momento, o movimento da categoria coloca sob pressão a gestão estadual da saúde, que terá de negociar uma saída para evitar o prolongamento da interrupção. Em Tocantins, onde a fila por exames e cirurgias costuma ser uma dor antiga para usuários do sistema público, a paralisação tende a ampliar a cobrança sobre a Sesau e sobre a organização dos mutirões cirúrgicos que vinham sendo usados como alternativa para acelerar os atendimentos.