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JBS e Marfrig apostam em Copa do Mundo para alavancar vendas de carnes

Maiores produtoras de frango e carne bovina do Brasil veem torneio como oportunidade para impulsionar consumo durante o período festivo.

📝 Redação CCN03 de junho de 2026 às 12:03👁 2 leituras
JBS e Marfrig apostam em Copa do Mundo para alavancar vendas de carnes

As duas gigantes da indústria de proteína animal no país — JBS e Marfrig — estão preparando estratégias comerciais agressivas para aproveitar a Copa do Mundo de futebol masculino e converter o clima de festa nacional em vendas volumosas de carnes para churrasco.

O setor da produção de carne bovina e frango reconhece há tempo que grandes eventos esportivos funcionam como catalisadores de consumo. Quando as pessoas se reúnem para assistir jogos, churrascarias lotam, supermercados registram picos de venda, e restaurantes ampliam seus pedidos aos fornecedores. A Copa é exatamente esse tipo de momento — semanas de envolvimento emocional, encontros familiares e celebrações nas ruas.

Para o Tocantins especificamente, essa dinâmica carrega peso próprio. O estado é tradicional produtor de gado e tem cadeias de frigoríficos conectadas aos grandes players nacionais. Quando JBS e Marfrig movem suas operações de marketing e produção, impactam diretamente os criadores locais, os empregos nos frigoríficos da região e a demanda por matéria-prima.

A estratégia não é nova, mas o timing é preciso. As empresas sabem que durante a Copa, o consumidor brasileiro está mais disposto a gastar com lazer e alimentação. As churrascarias ganham movimento, as famílias compram mais proteína para reuniões em casa, e os bares aumentam seus estoques. É um período de consumo acima da média que as produtoras querem maximizar com campanhas focadas, precificação estratégica e distribuição reforçada.

A JBS, maior produtora de carne do mundo, comanda operações globais mas tem no Brasil seu maior mercado doméstico. A Marfrig, segunda colocada nacionalmente, disputa espaço agressivamente. Ambas têm capacidade de produção instalada e podem aumentar volumes rapidamente se identificarem demanda crescente. A Copa oferece justamente essa janela previsível de aumento nas compras.

Historicamente, eventos dessa magnitude geram efeitos econômicos em cascata. Produtores rurais vendem mais cabeças de gado. Frigoríficos ampliam turnos. Transportadores ganham fretes. Distribuidoras reposicionam estoques. Varejistas abrem mais caixas. O efeito chega até o consumidor final, que paga preços potencialmente mais altos em troca de disponibilidade garantida.

Mas há também riscos. Se a seleção brasileira for eliminada rápido ou se houver questões econômicas que reduzam a disposição de consumo, as apostas das produtoras podem não se concretizar. Além disso, o mercado de carnes é sensível a flutuações cambiais, custos de produção e concorrência internacional — fatores que não dependem do calendário futebolístico.

O que está em jogo nessa jogada das maiores processadoras de proteína é simples: transformar patriotismo em consumo. Durante uma Copa, especialmente em um país apaixonado por futebol como o Brasil, as pessoas abrem mais a carteira para comer bem, beber com amigos e celebrar. As empresas apostam que essa disposição será canalizada para seus produtos — cortes premium, frango temperado, marcas mais caras.

Os desdobramentos imediatos virão nas próximas semanas. Supermercados receberão ofertas diferenciadas das distribuidoras. Campanhas publicitárias focadas em receitas de churrasco e reuniões familiares ganharão as ruas e as redes sociais. Precificações serão ajustadas tanto para atrair volume quanto para capturar margem extra em momentos de pico de demanda.

Para o consumidor tocantinense e brasileiro, o resultado prático será visível nas prateleiras: mais variedade de produtos cárneos, promoções agressivas nos supermercados — e, possivelmente, preços finais mais elevados durante o torneio. A festa do futebol alimenta também a festa do varejo de proteína animal no país.