Mato Grosso adianta prazo para indústrias abandonarem biomassa nativa
Governo estadual prorroga meta de substituição de vegetação por reflorestamento de 2034 para 2035

O governo do Mato Grosso anunciou ontem a prorrogação do prazo para que as indústrias do estado substituam o uso de biomassa nativa por reflorestamento. A mudança, formalizada por meio de novas regras estaduais, empurra a meta de 2034 para 2035, dando mais um ano para as empresas se adaptarem às exigências ambientais.
A decisão afeta diretamente as indústrias que dependem de madeira nativa para seus processos produtivos, como as de celulose, móveis e construção civil. Segundo o texto da lei, a prorrogação foi necessária para alinhar as políticas estaduais às demandas do setor, que alegava dificuldades técnicas e financeiras para cumprir o cronograma original. O adiamento, no entanto, não elimina a obrigatoriedade da substituição, apenas estende o tempo para que as empresas se adequem.
Para o Tocantins, a notícia pode soar familiar. O estado vizinho também enfrenta pressões semelhantes em relação ao uso de biomassa nativa, especialmente em regiões como o Bico do Papagaio, onde a atividade madeireira é tradicional. A prorrogação no Mato Grosso pode servir de exemplo para outras unidades da federação, que também precisam equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. No entanto, a medida não isenta as empresas de cumprirem metas futuras, apenas lhes dá mais tempo para se organizarem.
A nova regra estabelece que as indústrias terão até 2035 para concluir a transição, mas já a partir de 2025 algumas exigências intermediárias começarão a valer. O governo estadual não divulgou detalhes sobre fiscalização ou penalidades em caso de descumprimento, mas deixou claro que a fiscalização será intensificada nos próximos anos. A medida faz parte de um pacote de políticas ambientais do Mato Grosso, que busca reduzir o desmatamento e promover a economia verde no estado.
O adiamento da meta não é uma novidade no cenário brasileiro. Outros estados, como Pará e Rondônia, já haviam estendido prazos semelhantes nos últimos anos, sempre sob o argumento de que o setor produtivo precisava de mais tempo para se adaptar. No entanto, ambientalistas alertam que o ritmo atual de substituição ainda é lento e que, sem fiscalização rigorosa, as metas podem continuar sendo adiadas indefinidamente.
As empresas do setor madeireiro no Mato Grosso agora têm um ano a mais para se preparar, mas o desafio permanece. A transição para biomassa de reflorestamento exige investimentos em tecnologia, mão de obra qualificada e, principalmente, acesso a áreas adequadas para plantio. Muitas indústrias já começaram a diversificar suas fontes de matéria-prima, mas o processo é gradual e depende de fatores como clima, solo e disponibilidade de recursos.
O governo estadual afirmou que a prorrogação não representa um recuo nas políticas ambientais, mas sim um ajuste necessário para garantir que as mudanças sejam sustentáveis. "A transição precisa ser feita de forma responsável, sem prejudicar a competitividade das empresas", declarou um assessor da Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso. A pasta não divulgou dados sobre quantas indústrias já estão em conformidade com as regras atuais ou quantas ainda precisam se adequar.
A medida chega em um momento em que o Brasil enfrenta pressões internacionais por conta do desmatamento na Amazônia. Estados como o Mato Grosso, que fazem parte do chamado "arco do desmatamento", são alvo de fiscalização constante por parte de órgãos ambientais e organizações não governamentais. A prorrogação da meta pode ser vista como um sinal de que o governo estadual está priorizando o diálogo com o setor produtivo, mas também levanta dúvidas sobre o compromisso com a agenda ambiental.
Para os consumidores e investidores, a notícia pode gerar incertezas. Empresas que dependem de madeira nativa para seus produtos podem enfrentar pressões de mercados internacionais, que cada vez mais exigem comprovação de origem sustentável. No entanto, a prorrogação também pode ser interpretada como uma oportunidade para as indústrias se modernizarem e adotarem práticas mais sustentáveis, sem prejuízo à produção.
O que fica claro é que a transição para uma economia de baixo carbono não é um processo simples. Ela exige planejamento, investimento e, acima de tudo, tempo. O adiamento da meta no Mato Grosso é apenas mais um capítulo dessa história, que ainda está longe de chegar ao fim.