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Oito mil chilenos lotam estádio para trocar figurinhas da Copa

Mesmo fora do Mundial de 2026, torcedores transformam Estádio Bicentenário em ponto de encontro para colecionadores

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 21:09👁 1 leituras
Oito mil chilenos lotam estádio para trocar figurinhas da Copa

Mais de oito mil chilenos compareceram ao Estádio Bicentenário, em La Florida, para participar de um grande encontro de troca de figurinhas do álbum da Copa do Mundo de 2026. O evento reuniu fãs do futebol e colecionadores em um movimento que revela como a paixão pelo Mundial vai muito além dos gramados — e atinge até países que não estarão em campo.

O Chile não se classificou para a próxima Copa, disputada em 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá. A seleção chilena vive um período de reconstrução após anos de bons resultados que a levaram a vencer a Copa América em 2015 e 2016. Mesmo com essa ausência nas próximas competições, a torcida chilena não deixou o futebol de lado. Transformou a decepção em algo diferente: um movimento coletivo em torno do álbum de figurinhas, aquele mesmo que gerações inteiras colecionam desde crianças.

O Estádio Bicentenário virou, naquele dia, mais um mercado de trocas do que um templo de futebol. Pessoas de diferentes idades circulavam pelos corredores com suas pastas de figurinhas, apontando para as que faltavam, negociando duplas e raridades. É a mesma lógica das ruas, das escolas e dos bairros — mas em escala monumental. O local, que normalmente recebe partidas de futebol, se transformou em um gigantesco espaço de convivência para quem não consegue parar de pensar em Copa, mesmo que sua seleção tenha ficado de fora.

Esse tipo de evento mostra algo importante sobre o futebol contemporâneo. Não é apenas sobre ver seu país campeão ou eliminado. É sobre pertencer a uma comunidade global que celebra o torneio de formas variadas. O álbum da Copa — aquele com fotos dos jogadores, bandeiras dos países e momentos marcantes — virou uma forma de participação tangível. Você não precisa estar no estádio para se sentir parte do espetáculo. Pode estar trocando uma figurinha de um atacante belga ou procurando desesperadamente pela do goleiro argentino.

No Brasil e em Tocantins, essa relação com o álbum da Copa é igualmente intensa. Por aqui, colecionadores de todas as idades frequentam bancas de jornal, supermercados e shopping centers em busca das figurinhas certas. O movimento no Chile mostra que essa prática transcende fronteiras e idiomas. É um fenômeno que une torcedores das maiores potências futebolísticas aos fãs de seleções que enfrentam dificuldades para se classificar.

A presença de mais de oito mil pessoas em um evento desse tipo também levanta questões sobre o alcance do marketing ao redor da Copa. As marcas exploram essa demanda há décadas, mas números como esse reafirmam o poder que o torneio tem sobre o imaginário coletivo. Mesmo em um país fora da competição, a indústria da Copa segue gerando movimento, interesse e lucro.

Para os próximos meses até 2026, espera-se que eventos similares aconteçam em diversos países. Torcedores que não verão sua seleção em campo encontram nesses espaços uma forma de manter viva a chama da Copa. É uma resposta criativa à frustração de ficar de fora — transformar a ausência em presença de outro tipo, celebrando o que é possível: a comunidade, a coleção e o pertencimento ao maior espetáculo do futebol.

O caso dos chilenos também diz algo sobre a resiliência das comunidades de fãs. A exclusão do torneio não apaga décadas de futebol e tradição. Encontra apenas novos caminhos de expressão, mais íntimos talvez, mas igualmente apaixonados.