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Metade das canetas emagrecedoras é vendida sem controle no Brasil

Estudo revela que 50% dos medicamentos injetáveis para emagrecer vêm do mercado informal no primeiro trimestre de 2026

📝 Redação CCN25 de junho de 2026 às 23:48👁 8 leituras
Metade das canetas emagrecedoras é vendida sem controle no Brasil

O uso de canetas emagrecedoras disparou no Brasil, mas boa parte delas não passa nem perto de farmácias regulamentadas. Segundo dados da Scanntech, mais da metade dos medicamentos injetáveis para controle de peso comercializados no primeiro trimestre de 2026 veio do mercado informal. O crescimento no consumo desses produtos, somando os canais formais e clandestinos, atingiu 239% em relação ao mesmo período do ano anterior. A revelação acende um alerta sobre os riscos à saúde e a fragilidade das fiscalizações no país.

O fenômeno não é exclusivo de grandes capitais. Em Palmas, por exemplo, clínicas e farmácias registram aumento na procura por esses medicamentos, mas a oferta informal também cresce. A facilidade de acesso pela internet e a promessa de resultados rápidos alimentam a demanda, mesmo sem prescrição médica. Muitos pacientes sequer sabem que estão injetando substâncias não testadas ou com dosagens inadequadas. A Scanntech, empresa que mapeia o mercado farmacêutico, identificou que o volume de canetas emagrecedoras vendidas ilegalmente superou o das registradas na Anvisa no período analisado.

Os números mostram uma realidade preocupante. Enquanto o mercado formal registrou um aumento de 120% nas vendas, o informal cresceu 450%. Isso significa que, a cada dez canetas emagrecedoras usadas no Brasil, cinco vêm de fontes não regulamentadas. A falta de fiscalização permite que produtos vencidos, falsificados ou com composição alterada circulem livremente. Em casos extremos, a automedicação com essas substâncias já levou a internações por taquicardia, desidratação e danos neurológicos.

Para quem busca perder peso rapidamente, a tentação é grande. As clínicas de estética e alguns médicos prescrevem esses medicamentos, mas a rede clandestina oferece preços até 70% menores. No Tocantins, a vigilância sanitária já identificou anúncios em grupos de WhatsApp e redes sociais, com entregas porta a porta. A população mais jovem, entre 18 e 35 anos, é a mais atingida, segundo relatos de profissionais de saúde ouvidos pela reportagem.

A Scanntech alerta que a situação pode piorar se não houver ações coordenadas entre Anvisa, Polícia Federal e secretarias estaduais de saúde. A fiscalização em farmácias e clínicas já é insuficiente, mas o combate ao comércio ilegal exige inteligência e recursos. Enquanto isso, os riscos para os consumidores seguem altos. O Ministério da Saúde estuda incluir esses medicamentos na lista de substâncias controladas, mas a medida ainda não saiu do papel.

O que fazer então? Especialistas recomendam sempre buscar orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento com canetas emagrecedoras. Farmácias autorizadas devem ser a primeira opção, mesmo que o preço seja maior. A saúde não tem preço, mas a falta de cuidado pode custar muito caro.