Rússia, China e Canadá lideram vendas de fertilizantes ao Brasil
Exportações de 2018 a julho de 2026 mostram dependência externa do setor agrícola brasileiro

O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com mais de 70% de suas importações de fertilizantes concentradas em três países. Rússia, China e Canadá mantêm a posição de principais fornecedores desde 2018, segundo dados atualizados pelo Farmnews. A dependência externa do setor agrícola nacional não é novidade, mas os números revelam um ritmo de embarques que oscila entre crises globais e ajustes logísticos.
A participação desses três países no mercado brasileiro de fertilizantes não é casual. A Rússia, por exemplo, se consolidou como o maior exportador para o Brasil já em 2018, aproveitando a proximidade geográfica e a capacidade de produção em larga escala. A China, por sua vez, ampliou sua fatia ao longo dos anos, especialmente após 2020, quando a demanda interna chinesa por insumos agrícolas diminuiu e sobrou mais para exportação. O Canadá, terceiro colocado, mantém um ritmo estável, com embarques regulares que atendem a nichos específicos do mercado brasileiro, como potássio e fósforo.
Os dados mostram que, entre 2018 e julho de 2026, a Rússia respondeu por cerca de 25% de todas as importações brasileiras de fertilizantes. A China veio logo atrás, com participação próxima a 20%, enquanto o Canadá fechou o período com aproximadamente 15%. Os números não incluem apenas ureia e NPK, mas também outros insumos essenciais para a agricultura nacional. A variação anual nos embarques reflete não só a sazonalidade da demanda brasileira, mas também fatores como sanções internacionais, flutuações cambiais e até mesmo crises logísticas em portos.
Para o produtor rural brasileiro, a dependência desses três países traz riscos claros. Em 2022, por exemplo, a guerra na Ucrânia afetou diretamente os embarques russos, gerando filas de espera em portos e aumentos de preços. Já em 2025, a China reduziu temporariamente suas exportações para priorizar o mercado interno, o que levou o Brasil a buscar alternativas mais caras em outros fornecedores. A volatilidade nos preços dos fertilizantes, que subiram 40% em alguns períodos desde 2020, impacta diretamente a margem de lucro do agricultor.
O setor agrícola brasileiro, que responde por cerca de 25% do PIB nacional, não tem conseguido reduzir essa dependência externa. Projetos de exploração de potássio no interior do país, como o de Autazes (AM), ainda estão em fase inicial e não devem alterar o cenário antes de 2030. Enquanto isso, o governo federal tem buscado acordos bilaterais para garantir suprimentos, mas a burocracia e a falta de infraestrutura portuária ainda são obstáculos.
A próxima atualização dos dados, prevista para outubro de 2026, deve mostrar se a tendência se mantém ou se algum desses três países perderá espaço. A China, por exemplo, tem sinalizado interesse em aumentar suas exportações para o Brasil nos próximos anos, enquanto a Rússia enfrenta restrições em alguns mercados. O Canadá, por sua vez, depende de acordos comerciais com o Mercosul para manter sua competitividade.
O que fica claro é que, até que a produção nacional de fertilizantes aumente significativamente, o Brasil seguirá refém das decisões de fornecedores estrangeiros. Para o agricultor, isso significa planejar safras com margens apertadas e torcer para que crises globais não afetem o abastecimento.