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Uruguai cede parte da cota de carne ao Brasil para a China

Lula afirma que a transferência de cotas será válida apenas até 2026, após esgotamento da quota nacional

📝 Redação CCN•22 de setembro de 2026 às 10:00•👁 1 leituras
Uruguai cede parte da cota de carne ao Brasil para a China

Na manhã desta segunda‑feira, Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Uruguai concordou em repassar ao Brasil uma fração da cota de exportação de carne bovina destinada à China. O gesto ocorre após os frigoríficos brasileiros atingirem a sua cota anual para o mercado asiático, prevista para o fim de 2026.

A medida surge em meio a uma sequência de negociações comerciais entre os países do Mercosul e a China, que tem mantido uma demanda crescente por proteína animal. Quando o Brasil chegou ao limite de sua quota, o governo uruguaio, que ainda dispõe de espaço disponível em sua própria licença, decidiu abrir mão de parte desse volume para garantir a continuidade dos embarques.

A decisão beneficia principalmente os produtores brasileiros que ainda não conseguiram escoar toda a produção prevista para o próximo ano. Sem a permissão uruguaya, o excedente teria ficado preso em armazéns, gerando pressão sobre os preços internos. Ao liberar a cota, o governo brasileiro assegura que o fluxo de carne para a China continue, ainda que em escala reduzida.

Para o consumidor, a repercussão direta se restringe ao ritmo de negociação entre exportadores e importadores; os preços no varejo interno permanecem estáveis, pois o mercado interno não depende da cota chinesa. Já os frigoríficos que já preencheram a sua parte da licença podem repassar o volume adicional ao mercado europeu ou buscar novos destinos, diversificando a carteira de exportação.

Lula ressaltou que a autorização concedida pelo Uruguai tem validade limitada ao período restante da cota brasileira, que se encerra em 2026. "A colaboração do nosso vizinho sul‑americano nos permite atender a demanda chinesa sem comprometer os compromissos internos", declarou o presidente durante coletiva em Brasília. Não foram divulgados números exatos sobre a quantidade de toneladas cedidas, mas a informação oficial indica que o volume corresponde a uma parcela significativa da cota ainda disponível.

O próximo passo envolve a formalização do acordo entre os ministérios da Agricultura de ambos os países, que deverá ser registrado nas autoridades aduaneiras antes do início das exportações. Enquanto isso, representantes do setor exportador acompanham de perto as movimentações de estoque nos portos de Santos e Paranaguá, preparando a logística necessária para o despacho adicional.

Caso a cooperação se mostre eficaz, outras nações do bloco podem ser convidadas a participar de ajustes semelhantes, criando um mecanismo de apoio mútuo nas negociações com grandes compradores externos. O governo brasileiro ainda não definiu se haverá novos pedidos de extensão de cotas para além de 2026, deixando em aberto a possibilidade de novos acordos comerciais no futuro.