Medidas fiscais do governo Lula podem repetir erros do passado
Advogado alerta em entrevista que políticas atuais têm viés eleitoral e aumentam dependência do Estado 20/09/2024

O governo federal enfrenta críticas por suas recentes medidas fiscais, que, segundo um advogado entrevistado pelo PoderDataCast, podem repetir os erros da gestão anterior. Leonardo Alves Canuto, especialista em direito público, afirmou que as ações do Executivo têm um claro viés eleitoral e correm o risco de ampliar a dependência do Estado em relação a políticas de curto prazo.
A análise de Canuto surge em um momento de tensão econômica, com o governo buscando equilibrar gastos sociais e controle fiscal. Para o advogado, a estratégia atual lembra a trajetória da ex-presidente Dilma Rousseff, cujo segundo mandato foi marcado por crises econômicas e acusações de manipulação de contas públicas. "As medidas não são neutras. Elas visam, acima de tudo, criar um ambiente favorável para o governo no ano que vem, mas isso pode custar caro no futuro", declarou Canuto durante o programa.
Os riscos apontados pelo especialista não se limitam à esfera política. Se as políticas fiscais continuarem a priorizar interesses eleitorais, a população pode enfrentar consequências como inflação persistente, queda na confiança dos investidores e até mesmo um agravamento da dívida pública. "Quando o Estado assume compromissos sem lastro fiscal, a conta sempre chega para o cidadão", afirmou Canuto, destacando que a dependência de recursos artificiais pode levar a um ciclo de endividamento crescente.
Em números, o governo já destinou bilhões a programas sociais nos últimos meses, mas a sustentabilidade dessas ações depende de uma arrecadação estável — algo que ainda não está garantido. Segundo dados do PoderDataCast, 62% dos gastos recentes estão vinculados a políticas de transferência de renda, enquanto apenas 38% são investimentos em infraestrutura ou inovação. Para Canuto, essa distribuição revela uma priorização equivocada. "O problema não é gastar, mas gastar mal. Quando o foco está em resultados imediatos, as estruturas permanentes da economia ficam fragilizadas", explicou.
As declarações do advogado reforçam um debate que já circula entre economistas e analistas políticos. Enquanto o governo defende que as medidas são necessárias para reduzir desigualdades, críticos argumentam que a falta de planejamento pode levar a um novo ciclo de instabilidade. A comparação com o governo Dilma não é casual: na época, a combinação de gastos excessivos e queda na arrecadação resultou em recessão e desemprego recorde.
A próxima etapa do governo será crucial. Se as políticas fiscais não forem ajustadas, o risco de repetir os erros do passado aumenta. Para Canuto, a solução passa por um choque de transparência e pela adoção de regras fiscais mais rígidas. "Não adianta culpar a crise externa. O problema é doméstico, e a solução também deve ser", concluiu o advogado, deixando claro que o tempo para agir é agora.
A entrevista de Leonardo Alves Canuto ao PoderDataCast foi ao ar na última semana e já gera repercussão entre parlamentares e setores da sociedade civil. Enquanto isso, o governo ainda não se pronunciou oficialmente sobre as críticas, mas o debate promete se intensificar nas próximas semanas.