Líbano confirma que Hezbollah aceita cessar ataques contra Israel
Acordo mediado pelos EUA prevê pausa mútua: grupo extremista para com disparos se Israel fizer o mesmo em bairro de Beirute.

O Líbano anunciou que o Hezbollah concordou com uma proposta dos Estados Unidos para interromper os ataques contra Israel. A organização extremista pararia com lançamento de mísseis e foguetes desde que o lado israelense também cessasse os bombardeios na região de Dahiyeh, bairro de Beirute controlado pelo grupo.
A medida representa uma mudança significativa no conflito que já dura meses e deixou milhares de mortos nos dois lados da fronteira entre Líbano e Israel. Desde outubro do ano passado, o Hezbollah intensificou seus disparos em solidariedade aos palestinos em Gaza, o que provocou retaliações massivas de Israel contra território libanês.
O grupo extremista, fundado nos anos 1980 com apoio do Irã, é considerado organização terrorista pelos EUA e alguns países europeus. Para o Líbano, porém, funciona como força política com representação no Parlamento. A organização controla escolas, hospitais e empresas de prestação de serviços, além de manter uma milícia armada que rivalizava com o próprio Estado libanês.
Os bombardeios israelenses contra Dahiyeh — um bairro densamente populado onde o Hezbollah tem sua maior concentração de apoiadores — destruíram edifícios inteiros, deixando desabrigados e ferindo civis. Israel alegava que a região funcionava como centro de operações do grupo e alvo legítimo de seus ataques militares.
A proposta americana emergiu após negociações intensas entre diplomatas dos EUA e mediadores do Líbano. Não está claro se Israel já respondeu formalmente à sugestão de trégua. O governo israelense vinha sob pressão internacional para buscar soluções diplomáticas, apesar da retórica dura de seus líderes contra o Hezbollah.
O acordo, se implementado, marcaria um ponto de virada em um conflito que transformou o Líbano — já fragilizado por crise econômica e colapso do Estado — em zona de guerra. Dezenas de milhares de pessoas foram deslocadas de suas casas nas últimas semanas, fugindo dos bombardeios.
Para a população tocantinense acostumada a conflitos regionais distantes, a situação no Oriente Médio pode parecer distante. Porém, crises desse porte afetam preços de combustíveis, alimentos e até câmbio que impactam na economia local. Além disso, qualquer escalada maior poderia atrair envolvimento de potências globais com reflexos em toda a política internacional.
Os próximos dias serão decisivos. A aceitação do Hezbollah não significa automaticamente que Israel concorde ou que a trégua resistirá às pressões internas de ambos os lados. Grupos extremistas dentro de ambas as organizações costumam sabotar acordos de paz ao cometer ataques isolados que reacendem as hostilidades.
O Hezbollah possui histórico de cumprir acordos quando estabelecidos formalmente, diferentemente de outros grupos paramilitares da região. Mas a confiança entre as partes permanece muito baixa após meses de escalada militar.