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Parque Pequi une UFT e mercado com inovação em negócios

Lectícia Figueiredo apresenta estratégia do Parque Pequi para conectar universidade e setor privado em Palmas

📝 Redação CCN30 de agosto de 2026 às 21:28👁 9 leituras
Parque Pequi une UFT e mercado com inovação em negócios

O Parque Pequi, incubadora de inovação de Palmas, acelera sua aproximação com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) para transformar pesquisa em negócios concretos. A coordenadora do projeto, Lectícia Figueiredo, detalhou nesta semana como a iniciativa busca criar um ecossistema onde ideias acadêmicas ganham espaço no mercado tocantinense. O anúncio reforça o papel do Parque Pequi como elo entre o conhecimento gerado na UFT e as demandas de empresas locais, especialmente aquelas que ainda não exploram o potencial de inovação disponível na região.

A estratégia não é nova, mas ganha ritmo agora com a formalização de parcerias entre a incubadora e setores estratégicos da universidade. O Parque Pequi, vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, já atua há três anos como ponte entre empreendedores e instituições de fomento, mas agora mira diretamente nos laboratórios e grupos de pesquisa da UFT. A ideia é identificar projetos com potencial comercial — desde tecnologias agrícolas até soluções para saúde pública — e oferecer suporte para que eles deixem as prateleiras das salas de aula e cheguem ao cotidiano das empresas tocantinenses.

Para Figueiredo, o desafio é duplo: mostrar aos pesquisadores que suas descobertas podem virar produtos ou serviços rentáveis, e convencer o setor privado de que investir em inovação local é mais vantajoso do que buscar soluções prontas em outras regiões. "Muitos professores e alunos não sabem como transformar uma tese ou um protótipo em um negócio. Nossa missão é justamente facilitar esse caminho", afirmou. A coordenadora destacou que o Parque Pequi já mapeou pelo menos dez projetos da UFT com potencial para comercialização imediata, especialmente na área de agronegócio e energias renováveis, dois setores que movimentam a economia do Tocantins.

A aproximação entre universidade e mercado não é exclusividade do Tocantins, mas ganha contornos regionais importantes. Enquanto em estados como São Paulo ou Minas Gerais há décadas existem programas consolidados de transferência de tecnologia, no Tocantins a inovação ainda engatinha. O estado, que tem no agronegócio sua principal força econômica, começa a perceber que pode diversificar sua matriz produtiva com soluções desenvolvidas localmente. A UFT, por exemplo, já tem pesquisas reconhecidas nacionalmente em áreas como manejo de solos e biocombustíveis, mas boa parte desse conhecimento ainda não chega às mãos de quem poderia aplicá-lo.

Os benefícios para Palmas e o Tocantins são claros. Para as empresas, significa acesso a tecnologias desenvolvidas com recursos públicos e adaptadas à realidade local. Para os pesquisadores, representa a chance de ver seu trabalho reconhecido além dos muros da universidade. E para o estado, a possibilidade de reduzir a dependência de soluções importadas, gerando empregos e renda dentro de casa. "Não se trata de criar algo do zero, mas de conectar o que já existe", explicou Figueiredo. Segundo ela, o Parque Pequi já intermediou a criação de duas startups no último ano, ambas ligadas a projetos da UFT, e espera fechar pelo menos mais cinco parcerias até o final de 2024.

O movimento chega em um momento em que o Tocantins debate como diversificar sua economia. Com a queda nos preços de commodities agrícolas nos últimos anos, o estado busca alternativas para manter o crescimento. A inovação, nesse contexto, surge como uma das poucas saídas para não depender exclusivamente da soja ou do milho. A UFT, por sua vez, tem ampliado seus cursos de empreendedorismo e já oferece disciplinas sobre propriedade intelectual e desenvolvimento de produtos, preparando os alunos para esse novo cenário.

A próxima etapa do projeto envolve a realização de um ciclo de palestras em cinco cidades do Tocantins — Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso do Tocantins — para apresentar as oportunidades aos empresários. A ideia é mostrar casos de sucesso já existentes e desmistificar a ideia de que inovação é coisa apenas para grandes corporações. "Muitas micro e pequenas empresas do Tocantins não sabem que podem inovar com baixo custo e alto impacto", afirmou Figueiredo. O cronograma prevê ainda a abertura de editais específicos para projetos da UFT, com recursos do Fundo de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).

O Parque Pequi não é a única iniciativa do tipo no estado, mas é uma das poucas com foco explícito na aproximação entre universidade e mercado. Outras incubadoras, como a do Sebrae-TO, também atuam nesse sentido, mas com abordagens distintas. A diferença aqui está na parceria direta com a UFT, o que permite um acesso mais rápido a tecnologias e pesquisadores. Para os próximos meses, a expectativa é que o número de empresas interessadas em inovar cresça, especialmente aquelas ligadas ao setor de serviços e comércio, que representam mais de 60% do PIB tocantinense.

O que ainda falta é a adesão massiva. Muitos empresários ainda veem a inovação como um gasto, não como um investimento. E muitos pesquisadores, por sua vez, desconhecem as demandas reais do mercado. Aí está o grande desafio: mudar mentalidades. Se o Parque Pequi conseguir isso, o Tocantins pode estar diante de um salto qualitativo em sua economia. Não será a solução para todos os problemas, mas certamente um passo importante para um estado que precisa urgentemente diversificar suas fontes de renda.

Enquanto isso, Lectícia Figueiredo e sua equipe seguem em frente, mapeando projetos, conversando com empresários e preparando o terreno para que a inovação deixe de ser um discurso e vire realidade no cotidiano tocantinense.