Laurez busca fortalecer agricultura familiar no Tocantins
Reunião em Palmas discute políticas para o setor que alimenta o estado

O deputado estadual Laurez Moreira (PSB) reuniu na manhã desta terça-feira, no auditório da Assembleia Legislativa do Tocantins, em Palmas, cerca de 50 representantes da agricultura familiar para ouvir demandas e apresentar propostas que possam impulsionar o setor no estado. O encontro marca a primeira ação concreta do parlamentar desde que assumiu a presidência da Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural da Casa, cargo que ocupa desde fevereiro.
A agricultura familiar não é apenas a base da alimentação no Tocantins, mas também um dos principais motores da economia local. Em municípios como Gurupi, Porto Nacional e Dianópolis, pequenas propriedades respondem por até 70% da produção de alimentos consumidos no estado. No entanto, os produtores enfrentam desafios que vão desde a falta de acesso a crédito até a logística precária para escoar a produção. "Aqui no Tocantins, a agricultura familiar é responsável por colocar comida na mesa de milhares de famílias todos os dias, mas muitos ainda não conseguem viver dignamente do que produzem", afirmou Laurez durante a abertura do evento.
O deputado destacou que, nos últimos cinco anos, o estado registrou um crescimento de 25% no número de propriedades familiares, mas o faturamento médio por produtor caiu 12% no mesmo período, segundo dados da Secretaria Estadual de Agricultura. A queda, segundo ele, está diretamente ligada à falta de políticas públicas efetivas para escoamento da produção e à concorrência com grandes produtores de outras regiões. "Não adianta incentivar a produção se não houver condições de vender. Muitos agricultores acabam vendendo seus produtos a preços abaixo do custo porque não têm onde armazenar ou escoar", explicou.
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos participantes estão a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no Tocantins, a criação de um programa estadual de armazenamento de grãos e a regularização fundiária em áreas de assentamento. "O PAA é fundamental para garantir que o pequeno produtor tenha um mercado certo para sua produção, mas hoje o programa atende menos de 30% da demanda no estado", afirmou Maria das Graças Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Tocantins (Fetraf-TO).
Outro ponto levantado foi a necessidade de melhorias na infraestrutura rural, especialmente em estradas vicinais. Em municípios como Araguaína e Miracema do Tocantins, produtores relatam perdas de até 40% da safra devido à má conservação das vias, que dificultam o transporte de alimentos para mercados e feiras. "Em tempos de seca, uma estrada ruim pode significar a diferença entre vender a produção ou jogá-la fora", disse João Batista Oliveira, agricultor de Porto Nacional e um dos participantes da reunião.
Laurez garantiu que as demandas serão encaminhadas à Secretaria Estadual de Agricultura e ao Ministério da Agricultura, além de propor projetos de lei na Assembleia. "Vamos apresentar um pacote de medidas para o governador Wanderlei Barbosa e cobrar ações do governo federal. Não adianta ter boas intenções se não houver recursos e vontade política", declarou. O deputado também anunciou que, até o final do mês, será criado um grupo de trabalho com representantes dos agricultores para acompanhar as tratativas.
A agricultura familiar no Tocantins emprega diretamente mais de 150 mil pessoas e responde por cerca de 35% do PIB agropecuário do estado, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet). No entanto, o setor ainda enfrenta resistência em acessar linhas de crédito do Banco da Amazônia e do Banco do Brasil, cujas exigências são consideradas burocráticas por muitos produtores. "O crédito é caro e difícil de obter. Muitos desistem antes mesmo de tentar", afirmou Antônio Carlos Pereira, agricultor de Gurupi.
O encontro também serviu para reforçar a parceria entre a Comissão de Agricultura da Assembleia e a Fetraf-TO, que já atuam juntas em projetos como o Programa de Cisternas no Semiárido tocantinense. "A união entre poder público e sociedade civil é a única forma de garantir que a agricultura familiar não seja apenas um discurso, mas uma realidade para quem produz no Tocantins", disse Maria das Graças.
Para os próximos meses, Laurez promete visitas a municípios-chave como Dianópolis, Gurupi e Araguaína para ouvir mais produtores e pressionar por mudanças. "Não vamos parar por aqui. Se o governo não agir, nós vamos cobrar na rua, na Justiça e na mídia", afirmou o deputado, que já tem agendada uma audiência pública na Comissão de Agricultura para o dia 15 de maio.
A expectativa é que, até o final do ano, o Tocantins consiga avançar em pelo menos três frentes: a regularização de 500 hectares de terras para assentamentos, a ampliação do PAA para atender 50% da demanda atual e a liberação de R$ 20 milhões em crédito para custeio e investimento na agricultura familiar.