Keiko Fujimori abre vantagem no Peru a uma semana do segundo turno
Candidata de direita lidera com 38% contra 35% do esquerdista Roberto Sánchez, segundo pesquisas divulgadas no domingo

Keiko Fujimori mantém uma pequena vantagem nas intenções de voto a sete dias do segundo turno presidencial do Peru, marcado para 6 de junho. A candidata de direita aparece com 38% contra 35% do seu rival Roberto Sánchez, de orientação esquerdista, conforme duas pesquisas divulgadas neste domingo.
O cenário político peruano chegou neste ponto depois de uma eleição acirrada no primeiro turno. Nenhum dos dois candidatos conquistou margem suficiente para vencer na primeira votação, o que obrigou os eleitores peruanos a retornar às urnas para definir quem ocupará a presidência nos próximos anos.
Keiko Fujimori vem de uma família com forte tradição política no Peru. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela representa a continuidade de uma agenda econômica liberal e conservadora. Sua campanha enfatiza medidas de segurança, controle do Estado e políticas favoráveis ao mercado. A candidata também carrega o peso da história familiar — seu pai governou o país entre 1990 e 2000 e enfrentou acusações de corrupção e violações de direitos humanos que o levaram à prisão.
Roberto Sánchez representa o outro extremo do espectro político. Apoiado por grupos de esquerda, sua plataforma propõe reformas sociais, maior intervenção estatal na economia e políticas redistributivas. Sánchez conquistou a segunda posição no primeiro turno com promessas de mudar o rumo das políticas econômicas tradicionais que dominaram o Peru nas últimas décadas.
A diferença de apenas três pontos percentuais entre os candidatos revela um país profundamente dividido. Os peruanos enfrentam desafios econômicos sérios — inflação alta, desemprego persistente e desigualdade brutal entre as regiões. A escolha entre Fujimori e Sánchez representa duas visões radicalmente diferentes sobre como lidar com esses problemas.
Para o eleitor peruano comum, a aposta é alta. Aquele que trabalha informalmente nas ruas de Lima ou cultiva terras na região serrana do país vê nesta eleição a chance de pressionar por mudanças que afetem seu bolso e sua segurança. As pesquisas mostram que o resultado ainda está aberto, o que mantém a tensão política no Peru nos próximos dias.
A margem estreita também indica que campanhas intensivas nos últimos sete dias podem fazer diferença. Ambos os candidatos devem buscar convencer indecisos e tentar atrair votos de terceiros colocados no primeiro turno. Cada declaração, cada promessa e cada erro podem pesar na decisão de milhões de peruanos que ainda não decidiram de forma definitiva.
O segundo turno deve definir não apenas quem governa o Peru, mas também que tipo de país emergirá nos próximos anos. Uma vitória de Fujimori significaria manutenção das estruturas econômicas atuais com ajustes conservadores. Uma vitória de Sánchez abrirá espaço para reformas mais profundas na economia e nas políticas sociais. Para qualquer um que acompanha a política latino-americana, o resultado peruano ecoará em outros países da região, inclusive servindo como referência para debates políticos no Brasil e em nações vizinhas.