Justiça de MT solta esposa de fazendeiro acusada de mandar matar advogado
Elenice Ballarotti Laurindo teve prisão preventiva revogada pelo TJMT; nove pessoas respondem pelo crime

A Justiça de Mato Grosso deu um passo atrás em um caso que chocou o Brasil: a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo, esposa de um fazendeiro apontado como um dos mandantes do assassinato do advogado Roberto Zampieri, foi revogada pelo Tribunal de Justiça do estado. A decisão, assinada pelo desembargador plantonista Gilberto Giraldelli na tarde de domingo (14), chega em um momento em que a investigação completa do crime, ocorrido há mais de três meses, ainda não foi concluída.
O crime aconteceu na manhã de 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá, quando Zampieri, de 57 anos, foi alvejado por tiros enquanto caminhava perto de sua casa. Na época, a polícia prendeu nove pessoas, incluindo Aníbal Manoel Laurindo, marido de Elenice, e o casal foi imediatamente apontado como suspeito de ser o cérebro por trás do homicídio. A prisão preventiva de Elenice, decretada dias depois, foi justificada pela Justiça com base no risco de que ela pudesse atrapalhar as investigações ou até mesmo fugir do país. Agora, com a revogação da medida, ela está livre, pelo menos por enquanto, enquanto o processo segue seu curso.
A decisão do TJMT reacende o debate sobre a eficácia das prisões preventivas em casos de grande repercussão. Para quem acompanha o caso de perto, a revogação não significa necessariamente que Elenice está inocente, mas sim que o tribunal considerou que os argumentos usados para mantê-la presa não eram suficientes para justificar a medida extrema. A defesa do casal, ainda não localizada pelo g1, deve apresentar novos elementos nos próximos dias, o que pode influenciar em futuras decisões judiciais.
O caso de Zampieri não é isolado. Advogados que atuam em conflitos fundiários no Centro-Oeste brasileiro sabem que a violência contra profissionais do Direito não é novidade. Em Mato Grosso, estado conhecido por disputas agrárias intensas, a morte de Zampieri levantou suspeitas de que o crime poderia estar ligado a interesses econômicos ou a inimigos pessoais do advogado. Zampieri, que atuava há décadas na região, era conhecido por defender causas ambientais e direitos de comunidades tradicionais, o que aumentou as especulações sobre os motivos do assassinato.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, ainda não divulgou detalhes sobre as motivações do crime ou sobre como os nove acusados estariam envolvidos. O que se sabe é que, além de Aníbal e Elenice, outras sete pessoas foram indiciadas, mas os nomes e os papéis de cada uma no esquema não foram esclarecidos. A Justiça agora terá que lidar com a revogação da prisão de Elenice enquanto avalia se há provas suficientes para mantê-la como ré no processo.
Para a população de Cuiabá e de todo o estado, a decisão traz uma mistura de alívio e preocupação. De um lado, a Justiça demonstrou que não age com pressa em casos complexos; de outro, a liberdade de uma pessoa acusada de um crime tão grave deixa dúvidas sobre a segurança pública. Moradores da capital mato-grossense, onde a criminalidade violenta tem crescido nos últimos anos, veem no caso um reflexo de uma realidade que não pode ser ignorada.
Enquanto isso, a família de Zampieri segue aguardando por justiça. O advogado, que deixou esposa e filhos, era uma figura conhecida na cidade, e sua morte abalou não só o meio jurídico, mas também a sociedade local. A revogação da prisão de Elenice não encerra o caso, mas apenas adianta uma nova batalha judicial. O Ministério Público de Mato Grosso terá que apresentar argumentos sólidos para manter os acusados presos ou, caso contrário, o processo pode caminhar para uma solução ainda mais distante.
O próximo passo é aguardar a manifestação da defesa de Elenice e de Aníbal, que devem se pronunciar nos próximos dias. Além disso, a Polícia Civil ainda tem a missão de desvendar os laços entre os nove acusados e o crime, o que pode levar a novas prisões ou, quem sabe, a uma reviravolta no caso. Enquanto isso, a Justiça de Mato Grosso segue sob os holofotes, cobrada por uma sociedade que não aceita mais impunidade em crimes como esse.