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Justiça cobra plano de vacinação em São Félix do Tocantins

Juíza determina que prefeitura apresente estratégias para ampliar cobertura vacinal em 30 dias

📝 Redação CCN02 de julho de 2026 às 17:15👁 1 leituras
Justiça cobra plano de vacinação em São Félix do Tocantins

A Justiça determinou que a prefeitura de São Félix do Tocantins apresente, em até 30 dias, um plano detalhado para melhorar a cobertura vacinal no município. A decisão veio após análise de relatórios que mostram queda na adesão às campanhas de imunização, especialmente em crianças e idosos. A juíza responsável pelo caso, que não teve o nome divulgado, fixou prazo para que o Executivo local encaminhe as estratégias, sob pena de multa diária.

O problema não é exclusivo de São Félix, mas reflete uma tendência preocupante em várias cidades do Tocantins. Dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) indicam que, nos últimos dois anos, houve redução de até 20% na aplicação de vacinas como a tríplice viral e a pneumocócica em crianças menores de cinco anos. Em São Félix, a cobertura vacinal para a faixa etária caiu de 95% em 2021 para 78% em 2023, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde. A queda coincide com o aumento de casos de doenças preveníveis, como sarampo e coqueluche, registrados em municípios vizinhos.

Para a população local, a decisão judicial pode significar mudanças rápidas no cotidiano. Moradores de bairros como Centro e Setor Sul, onde a adesão às campanhas é menor, já enfrentam filas em postos de saúde quando há disponibilidade de vacinas. A secretária municipal de Saúde, Maria Aparecida Silva, admitiu que a estrutura física dos postos é um dos obstáculos. "Temos apenas três salas de vacinação para atender toda a cidade, e muitas vezes falta pessoal treinado", declarou. A prefeitura informou que já iniciou a elaboração do plano, mas não detalhou as ações previstas.

A cobrança da Justiça chega em um momento crítico para a saúde pública tocantinense. O estado enfrenta um déficit de R$ 12 milhões no repasse federal para a área, o que já levou ao fechamento de 15 postos de saúde em 2024. Em São Félix, a situação é agravada pela distância dos hospitais de referência, como o Hospital Regional de Gurupi, a 120 km da cidade. A juíza determinou que o plano inclua não só a ampliação da oferta de vacinas, mas também estratégias de comunicação para conscientizar a população, como visitas domiciliares e parcerias com escolas.

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) acompanha o caso e já recomendou à prefeitura que priorize grupos de risco, como gestantes e idosos. "A queda na cobertura vacinal não é apenas um problema de saúde, mas de segurança pública", afirmou o promotor responsável, que pediu celeridade na apresentação do plano. Enquanto isso, moradores como dona Joana Pereira, 68 anos, aguardam ansiosas por uma solução. "Fui ao posto três vezes este ano e não consegui tomar a vacina da gripe. Se não resolverem logo, vou ter que ir até Gurupi", desabafou.

A próxima audiência está marcada para daqui a 45 dias, quando a Justiça avaliará se o plano apresentado pela prefeitura atende às exigências. Caso contrário, a multa diária poderá ser aplicada. Enquanto o município se mobiliza, a população segue em alerta, ciente de que a saúde não pode esperar.