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Tarcísio antecipa obras em SP para escapar das regras eleitorais

Governador de São Paulo acelerou inaugurações antes do início do período de propaganda institucional em julho

📝 Redação CCN01 de julho de 2026 às 10:07👁 6 leituras
Tarcísio antecipa obras em SP para escapar das regras eleitorais

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, colocou o pé no acelerador das obras públicas nos últimos dias. A pressa não é à toa: com o calendário eleitoral batendo à porta, o chefe do Executivo estadual correu para inaugurar ou anunciar entregas antes que a legislação impeça a publicidade institucional do governo.

A estratégia é simples e conhecida: quando julho chega, a lei federal veta que gestores usem recursos públicos para promover suas próprias candidaturas — mesmo que ainda não tenham declarado oficialmente. Em São Paulo, a manobra ganhou ritmo nos últimos 15 dias, com obras de infraestrutura, reformas e inaugurações pipocando no noticiário. Entre elas, a entrega de trechos de rodovias, a conclusão de unidades de saúde e até a modernização de escolas técnicas. O timing não é coincidência. A legislação eleitoral, que entra em vigor no dia 2 de julho, proíbe anúncios governamentais que possam ser interpretados como campanha antecipada. Para evitar problemas, Tarcísio optou por acelerar os cronogramas, mesmo que isso signifique inaugurar obras ainda incompletas ou com prazos apertados.

Para quem vive no Tocantins ou acompanha a política nacional, a cena pode soar familiar. Em 2022, por exemplo, governadores de vários estados usaram a mesma cartada: antecipar inaugurações de hospitais, creches e estradas para escapar das restrições do ano eleitoral. A diferença agora é que São Paulo, maior colégio eleitoral do país, coloca o tema em evidência. O governador, que já declarou interesse em disputar a reeleição em 2026, não esconde a intenção de usar as obras como trunfo político. Mas a manobra tem um preço: obras que poderiam ser entregues com mais qualidade ou em prazos maiores acabam sendo apressadas, o que pode gerar questionamentos sobre sua durabilidade.

Os números mostram a intensidade da aceleração. Nas últimas três semanas, o governo estadual anunciou 12 inaugurações ou entregas simbólicas, incluindo a conclusão de 500 metros de duplicação de uma rodovia na região metropolitana e a reforma de três hospitais regionais. Em comunicado oficial, a Secretaria de Comunicação de São Paulo afirmou que as obras estavam previstas no planejamento desde o início do ano, mas não negou a coincidência com o calendário eleitoral. "Todas as entregas seguem cronogramas técnicos e contratuais", afirmou um porta-voz, sem dar detalhes sobre eventuais ajustes nos prazos.

Para o eleitor tocantinense ou qualquer cidadão que acompanha a política brasileira, a situação em São Paulo serve de alerta. A prática, embora legal, levanta dúvidas sobre a transparência dos governos em ano de eleições. Afinal, quando uma obra é inaugurada às pressas, é natural que surjam perguntas: o que foi feito às pressas? Quais os custos extras? E, principalmente, qual o real impacto para a população? Em São Paulo, a pressa já gerou críticas de opositores. O deputado estadual Carlos Giannazi, do PT, classificou as inaugurações como "marketing político disfarçado". "O governo está usando dinheiro público para se autopromover, enquanto obras essenciais ficam para depois", afirmou.

O fenômeno não é exclusivo de São Paulo. Em outros estados, como Minas Gerais e Paraná, prefeitos e governadores também aceleraram obras no primeiro semestre, antes do início do período eleitoral. A diferença é que, em São Paulo, o volume e a visibilidade das entregas chamam mais atenção. Especialistas em direito eleitoral, no entanto, são cautelosos. O advogado Thiago Bottino, professor da FGV Direito SP, explica que a lei é clara: a partir de julho, qualquer publicidade institucional que possa ser interpretada como campanha é proibida. "O que o governo pode fazer é acelerar obras que já estavam previstas, desde que não haja intenção de vincular isso a uma candidatura", diz. Bottino lembra que, em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já julgou casos semelhantes e manteve a proibição de propaganda institucional em ano eleitoral.

O que vem por aí? Em São Paulo, a expectativa é que o ritmo de inaugurações diminua após o dia 2 de julho, quando as restrições entram em vigor. Mas a estratégia pode deixar rastros. Obras que foram aceleradas podem apresentar problemas nos próximos meses, exigindo manutenção ou até refazer parte do serviço. Para o eleitor, resta acompanhar se as entregas prometidas realmente se concretizam — ou se o calendário político ditou as regras do jogo.

Enquanto isso, em Brasília, o Congresso discute mudanças na legislação eleitoral, incluindo a possibilidade de endurecer as regras sobre publicidade institucional em anos de eleição. A discussão, no entanto, ainda está longe de um consenso. Até lá, governadores e prefeitos continuarão a correr contra o relógio, na esperança de que as obras inauguradas hoje não se tornem os problemas de amanhã.