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Justiça registra recorde de cobranças de dívidas em 2025

Mais de 1,2 milhão de ações judiciais de cobrança foram abertas no ano passado segundo dados do CNJ

📝 Redação CCN31 de agosto de 2026 às 10:17👁 17 leituras
Justiça registra recorde de cobranças de dívidas em 2025

A Justiça brasileira nunca havia enfrentado uma enxurrada de cobranças judiciais como a registrada em 2025. Foram 1.239.537 novos processos de execução de dívidas privadas no ano passado, segundo levantamento exclusivo do g1 com base no Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O número representa um salto de quase 60% em relação a 2020, quando haviam sido abertas 772.645 ações do tipo. A escalada reflete um cenário de endividamento crescente entre famílias e empresas, impulsionado por fatores como crédito facilitado e o uso de apostas.

O crescimento acelerado das cobranças judiciais não é um fenômeno isolado. Ele acompanha uma onda de endividamento que tem atingido diferentes setores da economia, desde consumidores até pequenos e médios empresários. A facilidade de acesso a empréstimos, aliada a hábitos de consumo impulsivo e, em alguns casos, à busca por ganhos rápidos em apostas, tem levado milhares de pessoas a acumularem dívidas que não conseguem honrar. O resultado é uma enxurrada de processos que sobrecarregam o Judiciário e expõem a fragilidade financeira de muitos brasileiros.

Para quem vive essa realidade, as consequências são imediatas. Famílias que antes conseguiam equilibrar suas finanças agora se veem pressionadas por cobranças judiciais, que podem resultar em penhoras de bens ou bloqueios de contas. Empresas, por sua vez, enfrentam dificuldades para receber valores devidos, o que afeta sua capacidade de operar e investir. O ciclo se retroalimenta: quanto mais dívidas se acumulam, maior a judicialização, e quanto mais processos são abertos, mais difícil fica para os devedores se recuperarem.

Os números do CNJ deixam claro o tamanho do problema. Em cinco anos, as ações judiciais de cobrança saltaram de 772 mil para mais de 1,2 milhão, um crescimento que não mostra sinais de arrefecimento. Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que a combinação de crédito fácil, endividamento crescente e a busca por alternativas de ganho rápido — como apostas — tem criado um ambiente propício para o aumento das dívidas. A situação é agravada pela falta de educação financeira, que muitas vezes leva as pessoas a assumirem compromissos sem avaliar sua capacidade de pagamento.

O Judiciário, por sua vez, tenta acompanhar o ritmo acelerado das cobranças. O CNJ, responsável por monitorar os dados, já sinaliza a necessidade de políticas públicas que ajudem a reduzir o endividamento e a judicialização. Enquanto isso, milhares de brasileiros seguem enfrentando processos que podem durar anos, com desdobramentos imprevisíveis para suas vidas financeiras e pessoais. A pergunta que fica é: até quando esse ciclo vai se sustentar sem uma mudança estrutural na forma como o crédito é oferecido e como as dívidas são gerenciadas?

A Justiça, que já enfrenta uma fila enorme de processos, agora precisa lidar com um volume recorde de cobranças. A situação exige atenção não só dos tribunais, mas também de instituições financeiras, que precisam rever suas políticas de concessão de crédito, e do governo, que pode atuar com medidas de educação financeira e regulação mais rigorosa do mercado de apostas. Sem isso, o cenário tende a piorar, com mais famílias e empresas mergulhando em dívidas que podem se tornar intransponíveis.