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Conserto de BMW emperra há um ano e dono busca justiça em Tocantins

Kelvin Lucas, de Araguaína, desembolsou R$ 26 mil e ainda aguarda reparo no veículo desde 2025

📝 Redação CCN22 de julho de 2026 às 01:59👁 1 leituras
Conserto de BMW emperra há um ano e dono busca justiça em Tocantins

Kelvin Lucas, morador de Araguaína, no norte do Tocantins, enfrenta um ano de espera pelo conserto do motor de sua BMW. O problema começou em janeiro de 2025, quando ele pagou mais de R$ 26 mil para resolver a pane no veículo. Desde então, o jovem vive um drama que já se tornou judicial, expondo falhas em serviços de reparo de alto padrão no estado.

O caso não é apenas sobre um carro parado. Para quem depende de um veículo no Tocantins, especialmente em cidades como Araguaína — onde o transporte público é limitado e as distâncias entre bairros e até municípios são grandes —, um carro quebrado pode significar perda de emprego, dificuldade para levar filhos à escola ou até prejuízos em negócios. Kelvin, que trabalha com vendas, viu sua rotina ser afetada desde o primeiro dia em que o motor da BMW apresentou problemas. "Eu não podia me dar ao luxo de ficar parado. Mas depois que paguei, a oficina sumiu", contou o jovem, que preferiu não revelar o nome da empresa para não atrapalhar o processo.

A espera já dura mais de 12 meses, e o que começou como uma simples manutenção se transformou em uma batalha na Justiça. Segundo documentos aos quais a reportagem teve acesso, Kelvin entrou com uma ação contra a oficina em março de 2025, mas até agora não houve solução. O valor pago — R$ 26.500, segundo recibos apresentados — foi suficiente para comprar um carro seminovo no Tocantins, mas não garantiu o reparo prometido. "Eles alegaram que o motor precisava ser substituído, mas até hoje não fizeram nem a cotação para a peça", afirmou o proprietário do veículo.

O caso levanta questões sobre a fiscalização de oficinas mecânicas no estado. Em Araguaína, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins (Crea-TO) é responsável por fiscalizar empresas do ramo, mas não há um levantamento público sobre reclamações recorrentes em consertos de veículos de luxo. O Crea-TO informou, por meio de nota, que "atua no combate a irregularidades, mas depende de denúncias para agir". A reportagem tentou contato com a oficina citada por Kelvin, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Para quem vive no Tocantins, a história de Kelvin não é isolada. Em Palmas, por exemplo, donos de veículos premium também relatam dificuldades semelhantes. "Já tive problemas com oficinas aqui na capital. Às vezes, pagamos caro e não temos garantia de nada", disse um proprietário de uma Mercedes-Benz, que pediu anonimato. A falta de regulamentação específica para oficinas de alto padrão no estado agrava o problema. Enquanto concessionárias de marcas como BMW e Audi oferecem garantias em seus serviços, pequenas e médias oficinas — muitas vezes as únicas opções para quem não quer ou não pode pagar os preços das redes autorizadas — operam sem fiscalização rígida.

A situação de Kelvin pode se tornar um precedente. Advogados ouvidos pela reportagem afirmam que casos como esse reforçam a necessidade de maior transparência nos contratos de reparo. "O consumidor tem direito a um orçamento detalhado e a um prazo razoável. Quando isso não acontece, a Justiça é a única saída", explicou a advogada Ana Carolina Oliveira, especializada em direito do consumidor. Ela recomenda que, antes de fechar qualquer serviço, o cliente exija um contrato escrito com todas as etapas e valores.

Enquanto a Justiça não resolve o caso, Kelvin segue usando um carro reserva — um modelo popular que, segundo ele, "não tem o mesmo conforto nem a mesma imagem profissional". Para quem circula pelas ruas de Araguaína ou de Palmas, a história serve de alerta: pagar caro não é sinônimo de qualidade. E no Tocantins, onde a confiança ainda é a moeda mais valiosa em muitos serviços, a paciência pode se esgotar antes da solução.

A reportagem continua apurando o caso e buscará novos depoimentos nos próximos dias.