Jornalista Edivaldo Rodrigues lança 16º livro sobre cultura de Porto Nacional
Escritor apresenta 'Ladainhas, Benditos e Cabarés' e reforça seu legado como guardião da memória tocantinense

Porto Nacional ganhou um novo espaço para celebrar suas próprias raízes. No último sábado, 30 de maio, o jornalista e escritor Edivaldo Rodrigues apresentou ao público seu 16º livro: "Ladainhas, Benditos e Cabarés". O lançamento reuniu amigos, admiradores e pessoas genuinamente interessadas em preservar a memória cultural da região — bem mais que um evento convencional de apresentação de obra.
Para quem acompanha a produção literária do Tocantins há alguns anos, Edivaldo Rodrigues é nome que soa familiar. Sua carreira de décadas se construiu sobre um trabalho constante: registrar as histórias, os personagens e os momentos que marcaram a formação cultural do estado. Ele se consolidou como referência quando o assunto é memória de Porto Nacional e do Tocantins inteiro.
Cada um de seus livros anteriores representa uma camada diferente dessa história — não são obras soltas, mas partes de um mosaico maior. Este 16º volume segue exatamente a mesma linha: contar o que a região viveu, como viveu e, principalmente, por que isso importa para quem vive aqui hoje.
O título escolhido já revela muito sobre o conteúdo. "Ladainhas, Benditos e Cabarés" fala de manifestações culturais que fizeram parte do cotidiano portuense. Ladainhas remetem à tradição oral e espiritual que atravessou gerações. Benditos conectam fé e vida diária das pessoas. Cabarés representam os espaços onde a comunidade se encontrava, conversava, celebrava — lugares que moldaram a identidade local muito além das igrejas e das casarões.
Essas três dimensões — a espiritual, a religiosa e a social — formam um retrato de como Porto Nacional se constituiu como cidade. Não são apenas palavras ou espaços abandonados no tempo. São expressões de um povo, formas de estar junto que ainda ecoam na memória coletiva de quem cresceu por lá.
O trabalho de Edivaldo ganha relevância especial em um momento em que muitas cidades do interior do Tocantins enfrentam o risco de perder suas referências culturais. A modernização chega rápido, as gerações mais novas migram para capitais maiores, e aquilo que seus avós conheciam bem pode desaparecer sem deixar registro. Um livro como este funciona como âncora — um documento que diz: isto existiu, isto importou, isto faz parte de quem somos.
A apresentação do sábado não foi apenas um ato isolado de um autor lançando mais uma obra. Foi, na prática, um ato de resistência contra o esquecimento. Cada pessoa que estava lá, ouvindo histórias sobre benditos e cabarés, participava de algo maior: a reafirmação de que Porto Nacional tem memória, tem profundidade, tem valor cultural que merece ser preservado e transmitido.
Para os leitores de Palmas e do Tocantins que não conhecem ainda Edivaldo Rodrigues, vale a pena conhecer seu trabalho. Não se trata de um autor que escreve sobre abstrações ou generalizações. Ele escreve sobre nossa gente, nossas ruas, nossas tradições — aquilo que nos identifica como tocantinenses. Em um estado que ainda está construindo sua própria narrativa histórica, trabalhos como este são ouro puro.
O livro "Ladainhas, Benditos e Cabarés" representa também a continuidade de um projeto de vida dedicado ao jornalismo investigativo e à preservação de memória. Após 16 obras, Edivaldo Rodrigues continua descobrindo camadas novas da história local, conversando com pessoas que vivenciaram esses momentos, documentando aquilo que poderia se perder para sempre.
Para Porto Nacional, a expectativa é que este novo livro sirva como ferramenta educativa — nas escolas, nas bibliotecas, nas rodas de conversa entre moradores. Para o Tocantins em geral, é mais um capítulo de um acervo que ainda está sendo escrito e que precisa de vozes como a de Edivaldo para não virar apenas um estado no mapa, mas um lugar com história, com alma, com memória viva.