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Morre aos 77 anos o jornalista Carlos Monforte

Repórter, editor e apresentador da Globo, Carlos Monforte faleceu em Brasília por complicações de câncer aos 77 anos

📝 Redação CCN31 de agosto de 2026 às 12:52👁 18 leituras
Morre aos 77 anos o jornalista Carlos Monforte

Carlos Monforte, nome que marcou gerações no jornalismo brasileiro, morreu na manhã de segunda-feira em Brasília. A causa foi um câncer, doença que o acompanhou nos últimos meses. Tinha 77 anos e deixa esposa, dois filhos e três netos. A notícia foi confirmada por familiares e colegas, que lamentaram a perda de um profissional que transitou por redações e telas com a mesma naturalidade com que contava histórias.

Sua trajetória começou em Santos, onde deu os primeiros passos como repórter no jornal A Tribuna. De lá, seguiu para a Globo, onde construiu uma carreira de mais de quatro décadas. Monforte não se limitou a um único papel: foi repórter investigativo, editor de textos e até apresentador, sempre com a credibilidade que só quem vive o ofício de dentro para fora consegue transmitir. Entrevistas históricas, coberturas de grandes eventos e a capacidade de traduzir a complexidade dos fatos em linguagem acessível fizeram dele uma referência para quem ingressou no meio depois.

A morte de Monforte reacende discussões sobre a saúde dos profissionais que dedicam décadas a redações, muitas vezes em condições adversas. A profissão, que exige resistência física e emocional, cobra seu preço ao longo dos anos. Seu caso não é isolado: muitos jornalistas que começaram a carreira na mesma época enfrentam hoje doenças crônicas, resultado de rotinas extenuantes, pressões por prazos e a exposição constante a situações estressantes. A perda de Monforte serve como lembrete da fragilidade humana por trás das notícias que consumimos diariamente.

Carlos Américo Aguiar Monforte nasceu em 3 de julho de 1949. Começou como repórter em A Tribuna, onde aprendeu a apurar fatos com rigor e a escrever com clareza. Na Globo, sua voz e imagem se tornaram familiares para milhões de telespectadores. Ele cobriu eleições, crises políticas e momentos de transformação social, sempre com a mesma postura: a de quem acreditava que a informação precisa ser tanto correta quanto compreensível. Colegas de profissão destacam sua capacidade de ouvir, de extrair detalhes que outros não viam e de transformar dados brutos em narrativas envolventes.

O velório e o enterro ainda não tiveram data definida. A família pediu privacidade para lidar com o luto, mas já se prepara para homenagens póstumas. Em Brasília, onde viveu seus últimos anos, amigos e ex-colegas se reúnem para recordar sua trajetória. Nas redes sociais, mensagens de solidariedade se multiplicam, com depoimentos sobre sua generosidade, seu humor e sua paixão pelo que fazia. Para muitos, ele não foi apenas um profissional, mas um mentor informal, alguém que inspirava confiança mesmo em meio ao caos das redações.

Sua partida deixa um vazio na imprensa brasileira, especialmente em um momento em que a profissão enfrenta desafios inéditos. A digitalização das notícias, a precarização do trabalho jornalístico e a desconfiança crescente no jornalismo tradicional tornam ainda mais valiosas as trajetórias como a de Monforte. Ele representava um tempo em que o repórter ia a campo, ouvia as fontes e construía a notícia com tempo e cuidado. Hoje, a velocidade muitas vezes se sobrepõe à profundidade, e casos como o seu reforçam a importância de preservar o que há de mais humano na profissão: a curiosidade, a ética e a capacidade de contar histórias que importam.

Enquanto a família se organiza para os próximos passos, o legado de Monforte já começa a ser revisitado. Documentários, livros e depoimentos devem surgir nos próximos meses, tentando capturar não só o que ele fez, mas como ele fez. Para quem o conheceu, a lembrança mais forte será sempre a de um homem que acreditava no poder da palavra escrita e falada, e que dedicou a vida a torná-la mais clara e acessível para todos.