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Joesley Batista se reúne com Trump antes de decisão sobre carne nos EUA

Acionista da JBS conversou com o ex-presidente norte-americano dias antes de medida comercial sobre importações de carne bovina ser anunciada 31/07/2023 - Washington, EUA

📝 Redação CCN01 de setembro de 2026 às 11:45👁 7 leituras
Joesley Batista se reúne com Trump antes de decisão sobre carne nos EUA

Um dos principais nomes por trás da JBS, uma das maiores empresas do setor de proteína animal no mundo, esteve com Donald Trump em uma conversa privada antes de o governo dos Estados Unidos anunciar uma medida que afeta diretamente as importações de carne bovina. A informação, revelada pelo *The Wall Street Journal* nesta segunda-feira, levanta questionamentos sobre possíveis articulações entre setor privado e poder público em um momento sensível para o comércio exterior.

A reunião ocorreu em um contexto de tensão comercial entre os EUA e outros países produtores de carne, com discussões recorrentes sobre barreiras tarifárias e cotas de importação. Joesley Batista, acionista e membro do conselho da JBS, teria discutido com Trump — ainda em sua condição de pré-candidato à presidência — temas relacionados ao setor, segundo a publicação. O encontro antecedeu em poucos dias o anúncio de uma nova política comercial que restringiria temporariamente a entrada de carne bovina estrangeira nos EUA, medida que afeta diretamente exportadores como o Brasil.

A JBS, que tem operações globais e é uma das maiores compradoras de gado do mundo, tem interesse direto nesse tipo de decisão. A empresa, que já foi alvo de investigações por práticas comerciais no passado, negou qualquer relação entre a reunião e a medida anunciada. Em comunicado oficial, a companhia afirmou que Batista participou de eventos públicos e privados com figuras políticas ao longo dos anos, mas que não houve discussões sobre políticas comerciais específicas durante o encontro com Trump.

O governo norte-americano, por sua vez, não se pronunciou sobre o teor da conversa ou se a medida anunciada teve relação com o diálogo. A política, que entrou em vigor na semana passada, estabelece cotas para importação de carne bovina até setembro, com o objetivo de proteger produtores locais. A decisão foi recebida com críticas por países como o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, que vê a medida como uma barreira injustificada ao livre comércio.

Para o setor brasileiro, a restrição temporária pode significar prejuízos financeiros, já que os EUA são um dos principais destinos da carne in natura e processada do país. Em 2022, o Brasil exportou mais de US$ 2 bilhões em carne bovina para os Estados Unidos, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). A medida, embora limitada no tempo, acende um alerta sobre a volatilidade das regras comerciais e a influência de setores privados em decisões governamentais.

A revelação da reunião também reacende debates sobre a transparência em relações entre empresas e figuras políticas, especialmente em um ano eleitoral nos EUA. Trump, que busca retornar à Casa Branca, tem histórico de defender políticas protecionistas, o que pode explicar o interesse da JBS em manter canais de diálogo abertos. A empresa, por sua vez, enfrenta pressões de acionistas e reguladores para evitar qualquer indício de favorecimento em negociações comerciais.

Enquanto o governo norte-americano não detalha os critérios da nova política, o setor exportador brasileiro já estuda alternativas para minimizar os impactos. A Federação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) anunciou que irá monitorar de perto as consequências da medida e buscará diálogo com autoridades dos EUA para garantir que as exportações não sejam prejudicadas de forma permanente. A entidade também avalia a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), caso a restrição se estenda além do previsto.

Ainda não há previsão de quando a medida será revista ou se novas negociações serão abertas. O que fica claro, no entanto, é que o episódio coloca em xeque não apenas as relações comerciais entre Brasil e EUA, mas também a forma como interesses privados e públicos se entrelaçam em decisões que afetam economias inteiras.