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JBS fecha duas fábricas nos EUA e mexe com mercado global de carne

Gigante do setor anuncia paralisação em unidades da Pensilvânia e Tennessee nesta sexta-feira

📝 Redação CCN15 de junho de 2026 às 13:34👁 1 leituras
JBS fecha duas fábricas nos EUA e mexe com mercado global de carne

A JBS, maior empresa de processamento de carnes do mundo, confirmou nesta sexta-feira o fechamento de duas de suas unidades nos Estados Unidos. As fábricas, localizadas na Pensilvânia e no Tennessee, passam a operar em regime de suspensão a partir de agora. A decisão afeta diretamente a produção e distribuição de carne bovina nos dois estados americanos, mas reverbera em todo o mercado global, já que a companhia responde por cerca de um quinto da produção mundial de proteína animal.

A paralisação não é pontual. Segundo comunicado oficial da empresa, as unidades foram desativadas após uma revisão estratégica da JBS, que busca ajustar sua capacidade produtiva às demandas atuais do mercado. A medida faz parte de um plano maior de reestruturação anunciado no início do ano, quando a empresa já havia sinalizado cortes em outras regiões. Nos últimos meses, a JBS vinha enfrentando pressões por redução de custos e otimização de recursos, especialmente após oscilações nos preços das commodities e mudanças nos hábitos de consumo nos principais mercados consumidores, como China e União Europeia.

Para os trabalhadores das fábricas, a notícia chega como um baque. Nas duas unidades, cerca de 1.200 empregos estão em risco, segundo estimativas preliminares. A JBS afirmou que oferecerá programas de recolocação profissional e indenizações aos funcionários afetados, mas o impacto local já é inevitável. Nos municípios onde as fábricas estão instaladas, a economia depende fortemente da presença da empresa, que há décadas é um dos principais empregadores da região. A prefeitura de cada cidade já se mobilizou para buscar alternativas, mas a transição não será simples.

A decisão da JBS também acende um alerta no Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo. O país responde por cerca de 20% das exportações globais do setor, e qualquer movimento nos Estados Unidos — segundo maior produtor — pode influenciar os preços internacionais. Analistas do mercado pecuário brasileiro já começam a avaliar se a redução da oferta nos EUA poderá abrir espaço para que produtores brasileiros aumentem suas vendas para terceiros mercados, como o Oriente Médio e a África. No entanto, a incerteza ainda domina o setor, especialmente diante da volatilidade dos preços da soja e do milho, insumos essenciais para a pecuária.

A JBS não detalhou se outras unidades serão fechadas em breve, mas deixou claro que a reestruturação segue em andamento. A empresa, que tem sede em São Paulo, mantém operações em mais de 20 países e emprega cerca de 240 mil pessoas ao redor do globo. Nos últimos anos, a companhia tem enfrentado desafios como a concorrência acirrada, pressões regulatórias e cobranças por práticas mais sustentáveis na produção de carne. A paralisação das fábricas americanas é mais um capítulo nessa trajetória de ajustes, que agora cobra seu preço também dos trabalhadores e das comunidades locais.

O fechamento das unidades nos EUA não afeta diretamente o Tocantins ou a região Norte do Brasil, mas serve como um lembrete de como as decisões de grandes players globais podem reverberar em cadeia. Para os pecuaristas tocantinenses, que já lidam com desafios como a seca e a logística de escoamento, a notícia reforça a importância de diversificar mercados e buscar parcerias que garantam estabilidade mesmo em cenários de incerteza internacional.