AO VIVO
Economia

Empreendedor ouviu 73 nãos antes de criar empresa de café

Jake Miller transformou rejeições em aprendizado e fundou negócio que promete reinventar a experiência com grãos especiais

📝 Redação CCN04 de junho de 2026 às 17:43👁 1 leituras
Empreendedor ouviu 73 nãos antes de criar empresa de café

Jake Miller é o tipo de empreendedor que a maioria desistiria antes de chegar à metade do caminho. Mas ele continuou batendo portas — 73 vezes — até que alguém dissesse sim e acreditasse na sua visão de negócio centrada em café.

Formado por Stanford, uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos, Miller não escolheu o caminho tradicional para um jovem profissional de sua geração. Em vez de seguir direto para uma grande corporação de tecnologia ou finanças, decidiu trabalhar na Caribou Coffee, uma das maiores redes de cafeterias do continente americano. Lá, aprendeu na prática como funciona a operação de uma empresa focada em bebidas, desde o atendimento até a gestão de qualidade.

Mas a experiência na Caribou não era o destino. Era o ponto de partida. Miller percebeu uma lacuna no mercado: havia muito conhecimento sobre café, muita história, muita geografia por trás daqueles grãos que as pessoas tomavam rapidamente, sem pensar. Ele decidiu fechar essa brecha.

Para entender melhor o produto que queria oferecer, Miller viajou por países produtores de café. Conversou com agricultores, visitou fazendas, estudou diferentes processos de cultivo e colheita. Esse trabalho de campo lhe deu uma compreensão profunda sobre a origem daquilo que chegava às xícaras dos consumidores finais. E foi justamente nessa jornada que germinou sua ideia real: não era só sobre vender café, mas sobre elevar a experiência completa do consumidor com o grão.

Com a visão clara, Miller começou a procurar investidores. Aqui entra a parte que torna sua história tão relevante para qualquer pessoa que já pensou em empreender. Setenta e três pessoas, entidades ou fundos de investimento disseram não. Setenta e três rejeições. A maioria dos empreendedores desistiria bem antes. Alguns nunca nem começariam depois de dez ou vinte nãos consecutivos.

O que Miller fez diferente? Usou cada rejeição como feedback. Cada "não" era uma oportunidade de refinar sua apresentação, seu modelo de negócio, sua estratégia. Aprendeu a lidar com objeções, a responder críticas, a fortalecer argumentos frágeis. Quando a septuagésima quarta porta se abriu — quando finalmente alguém disse sim — Miller não era mais o mesmo empreendedor que havia começado. Era alguém que havia passado por 73 ciclos de aprendizado acelerado.

Sua empresa de café nasceu dessa resiliência. E não é apenas um negócio que vende uma commodity — é uma marca que carrega a premissa de transformar como as pessoas se relacionam com o café. A história ganhou destaque na Forbes Brasil, publicação que acompanha histórias de negócio e inovação, porque ela representa algo muito maior do que um produto.

A jornada de Miller toca em um aspecto crucial do empreendedorismo que raramente é discutido com clareza: o fracasso não é o oposto do sucesso, é o caminho para ele. Enquanto muitos veem 73 nãos como razão para desistir, Miller os viu como 73 oportunidades de melhorar. Isso é particularmente relevante em um contexto onde o Brasil, e especificamente regiões em desenvolvimento como o Tocantins, precisam de mais exemplos de empreendedores que persistem apesar das dificuldades e da falta inicial de capital ou apoio.

A criação da empresa também reflete uma tendência global: a valorização de produtos com história e origem clara. Consumidores cada vez mais querem saber de onde vem aquilo que consomem, querem se conectar com a narrativa por trás do produto. Miller identificou isso e construiu seu negócio sobre essa demanda crescente.

O impacto imediato é a existência de uma nova marca no mercado de café que promete diferenciar-se pela qualidade e pela experiência. A longo prazo, a história de Miller serve como case de estudo sobre persistência, aprendizado com rejeição e inovação em um setor tradicional. Para empreendedores em qualquer lugar do Brasil — inclusive no Tocantins, onde o espírito empreendedor é tão importante para o desenvolvimento econômico — a mensagem é simples e poderosa: um "não" não é o fim da conversa. É apenas o começo da próxima tentativa.