Brasil lidera atração de recursos para economia verde até 2030
Estudo da LSE mostra que investimentos globais em transição ecológica devem superar US$ 5,6 trilhões anuais a partir de 2025 — o país tem potencial para captar parte significativa desses recursos

O Brasil aparece como um dos principais destinos para os US$ 5,6 trilhões que serão injetados anualmente na economia de baixo carbono entre 2025 e 2030. A conclusão é de um estudo da London School of Economics (LSE), que analisou o fluxo de capitais globais rumo a setores como energias renováveis, reflorestamento e agricultura sustentável. A projeção, publicada pela Forbes Brasil, reforça que o país tem condições de se tornar um polo atrativo para investidores estrangeiros que buscam projetos alinhados à transição ecológica — desde que consiga superar barreiras como a burocracia e a insegurança jurídica em algumas áreas.
O relatório da LSE não apenas quantifica os recursos, mas também mapeia os setores que mais devem atrair esses investimentos. No Brasil, a energia solar e eólica despontam como os principais vetores, seguidos pela bioeconomia e pela recuperação de áreas degradadas. A expectativa é que, até o final da década, o país possa responder por até 15% desses aportes globais, caso consiga criar um ambiente favorável para negócios verdes. Para especialistas ouvidos pela Forbes, a combinação de recursos naturais abundantes, mão de obra qualificada e políticas públicas em expansão — como o programa de créditos de carbono — coloca o Brasil em posição de vantagem competitiva frente a outros mercados emergentes.
Para o Tocantins e o Centro-Oeste, a notícia tem sabor especial. O estado, que já abriga o maior complexo de energia solar do Brasil — o Complexo Fotovoltaico do Sol do Cerrado, em Porto Nacional — pode se beneficiar diretamente desse movimento. Com mais de 300 dias de sol por ano e áreas degradadas pela agropecuária tradicional, o Tocantins tem potencial para atrair investimentos em projetos de reflorestamento energético e geração de energia limpa. Além disso, a proximidade com Brasília facilita a articulação com órgãos federais que regulamentam o mercado de carbono, um dos pilares para viabilizar esses negócios.
Os números do estudo são claros: entre 2025 e 2030, os aportes globais em transição ecológica devem atingir US$ 5,6 trilhões ao ano, um volume três vezes maior do que o registrado na última década. Desse total, cerca de 40% devem ser direcionados a países em desenvolvimento, onde o Brasil se destaca pela diversidade de oportunidades. A LSE aponta que, para capturar essa fatia do bolo, o país precisa não apenas de leis mais ágeis, mas também de uma estratégia coordenada entre governo, iniciativa privada e sociedade civil para evitar que os recursos se dispersem em projetos pontuais.
O que resta saber é como o Brasil vai se posicionar nesse cenário. Enquanto nações como China e Índia já estruturam políticas agressivas para atrair esses investimentos, o país ainda debate a regulamentação do mercado de carbono e a definição de metas mais ambiciosas para redução de emissões. A pressão internacional por resultados concretos deve aumentar nos próximos anos, especialmente após a COP30, que será realizada em Belém, no Pará, em 2025. Para o Tocantins, a hora de agir é agora: o estado pode se tornar um laboratório de soluções verdes, mas depende de ações rápidas para não perder o bonde da transição ecológica.
Ainda não há um cronograma oficial para a implementação das medidas necessárias, mas o estudo da LSE serve como um alerta para governos e empresários. Sem um plano claro, o Brasil corre o risco de ficar para trás em um mercado que promete movimentar trilhões de dólares nos próximos anos. A bola está no campo nacional — e o tempo para decidir qual será o papel do país nessa nova economia está se esgotando.