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Justiça nega liberdade a investigados por UPAs terceirizadas em Palmas

Juízo da 2ª Vara Criminal mantém prisão preventiva de três acusados no caso das UPAs terceirizadas; investigação segue em sigilo

📝 Redação CCN20 de agosto de 2026 às 21:08👁 2 leituras
Justiça nega liberdade a investigados por UPAs terceirizadas em Palmas

A Justiça de Palmas negou o pedido de liberdade provisória a três investigados no esquema de terceirização das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) da capital. A decisão, proferida pelo juízo da 2ª Vara Criminal, mantém a prisão preventiva dos acusados, que respondem por crimes contra a administração pública e possíveis irregularidades em contratos milionários.

O caso ganhou repercussão em 2023, quando o Ministério Público do Tocantins (MPTO) e a Polícia Civil deflagraram operação para apurar suspeitas de superfaturamento e fraudes em licitações para a gestão de serviços nas UPAs 1, 2 e 3 de Palmas. As unidades, que atendem milhares de pacientes diariamente, são referência para moradores de bairros como Taquaralto, Sul e Norte, além de cidades vizinhas que dependem do sistema público de saúde na região. A terceirização, que prometia agilidade e redução de custos, agora está no centro de uma investigação que pode redefinir como o estado gerencia recursos na saúde.

Os acusados, que ocupavam cargos-chave em empresas contratadas pelo governo estadual, foram presos em flagrante durante a operação. Segundo documentos do inquérito, as irregularidades envolveriam superfaturamento em contratos que somam mais de R$ 50 milhões anuais. A defesa dos investigados argumentou que as prisões são desproporcionais e que não há risco concreto à ordem pública, mas o juiz entendeu que os indícios de crime organizado e prejuízo ao erário justificam a manutenção da prisão preventiva.

A decisão reforça a pressão sobre o governo estadual, que já enfrenta cobranças por transparência na gestão da saúde. Em 2024, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO) abriu processo para avaliar a legalidade dos contratos, enquanto a Assembleia Legislativa do Tocantins (ALETO) instalou uma CPI para investigar possíveis desvios. A população, que depende desses serviços, teme que a instabilidade no atendimento se prolongue caso os contratos sejam suspensos ou rescindidos.

O MPTO, que conduz as investigações em sigilo, ainda não apresentou denúncia formal. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o inquérito deve ser concluído nos próximos meses, com possíveis novas prisões. Enquanto isso, pacientes e profissionais das UPAs seguem em alerta, especialmente após relatos de falta de medicamentos e insumos em algumas unidades, situação que já havia sido denunciada pela imprensa local antes da operação.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes internas admitem que a terceirização das UPAs será reavaliada. A pasta já havia anunciado, em 2023, um plano para reestruturar o atendimento nas unidades, mas os prazos foram adiados devido à pandemia e, agora, à crise política envolvendo os contratos.

Para especialistas em direito administrativo, a decisão judicial pode abrir precedente para outras ações contra gestores públicos no Tocantins. "Quando o Judiciário mantém prisões em casos de suspeita de fraude em licitações, envia um recado claro: a impunidade não será tolerada", afirmou um advogado que acompanha o caso, sob condição de anonimato. A defesa dos investigados, por sua vez, promete recorrer da decisão, alegando que os acusados não oferecem risco à sociedade.

Enquanto o desfecho do caso ainda é incerto, a população tocantinense segue monitorando os desdobramentos. A saúde pública, já fragilizada por anos de subfinanciamento, agora tem mais um capítulo de incertezas pela frente.