Quadrilha de fraudes bancárias é desarticulada em Sergipe
Três suspeitos foram presos em flagrante na terça-feira (23) ao instalar equipamentos para invadir sistemas de bancos

A Polícia Civil de Sergipe desarticulou nesta semana uma quadrilha especializada em fraudes bancárias. Três homens foram presos em flagrante na terça-feira (23), durante operação que mirava a instalação de dispositivos eletrônicos em agências bancárias do estado. A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Patrimônio, foi anunciada ontem pela Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE).
Segundo a polícia, os suspeitos atuavam com o objetivo de invadir sistemas internos dos bancos, técnica conhecida como *skimming* ou clonagem de cartões. Os equipamentos encontrados nos locais tinham a função de capturar dados de clientes, permitindo que os criminosos realizassem transações fraudulentas em nome das vítimas. A investigação começou após denúncias de movimentações suspeitas em contas de moradores de Aracaju e cidades vizinhas, que reportaram transações não autorizadas em seus extratos.
A prisão ocorreu em uma residência na capital sergipana, onde os suspeitos mantinham os dispositivos e material para a prática dos crimes. Entre os itens apreendidos estão leitores de cartão, câmeras escondidas e notebooks com registros de transações suspeitas. A polícia não divulgou o valor total das perdas financeiras causadas pelo grupo, mas informou que já há vítimas identificadas e que o prejuízo pode ser maior, uma vez que a investigação continua em andamento.
Para especialistas em segurança digital, o caso reforça a necessidade de atenção redobrada por parte dos consumidores. "O *skimming* é uma prática antiga, mas que ainda rende bons lucros aos criminosos", explica o analista de segurança da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Carlos Menezes. "Os bancos investem em tecnologias para coibir essas ações, mas o cliente também precisa ficar atento a sinais suspeitos nos terminais de autoatendimento."
A Polícia Civil informou que os suspeitos serão indiciados por formação de quadrilha, estelionato e invasão de dispositivo informático, crimes previstos no Código Penal. A Justiça ainda não definiu a data da audiência de custódia, mas a investigação segue para identificar possíveis cúmplices e desmantelar toda a rede criminosa. A SSP/SE não descartou a possibilidade de novas prisões nos próximos dias.
O caso em Sergipe chama atenção pelo modus operandi, que se assemelha a outros registros de fraudes bancárias no Brasil. Em 2023, a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha semelhante em São Paulo, onde os criminosos haviam instalado equipamentos em mais de 50 terminais de autoatendimento. A semelhança nos métodos indica que essas organizações atuam em rede, aproveitando brechas em sistemas de segurança menos atualizados.
Para os tocantinenses, o episódio serve como alerta. Embora não haja registro de vítimas diretas no Tocantins, a Polícia Civil local reforça a importância de verificar sempre os terminais de cartão antes de usá-los. "Aqui no estado, não temos casos recentes como esse, mas a prevenção é fundamental", afirmou um delegado da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros do Tocantins. "Qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente à polícia ou ao banco."
A operação em Sergipe faz parte de um esforço nacional contra fraudes bancárias, que tem crescido nos últimos anos. Segundo dados do Banco Central, os prejuízos com crimes financeiros superaram R$ 1,2 bilhão em 2023, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. A polícia pede que a população denuncie qualquer atividade suspeita através do disque-denúncia ou diretamente nas delegacias.
A investigação continua, e a polícia não descarta a possibilidade de que os suspeitos presos em Sergipe tenham ligações com outras quadrilhas no país. Enquanto isso, os bancos reforçam seus sistemas de segurança, mas alertam: a colaboração da população é essencial para combater esse tipo de crime.