China registra segunda queda seguida em inscrições para principal exame universitário
Gaokao terá 12,5 milhões de candidatos em 2026, representando redução de 450 mil participantes frente ao ano anterior; prova começa domingo

A China enfrenta um novo recuo no número de estudantes dispostos a enfrentar seu mais importante vestibular. O Gaokao, exame que funciona como porta de entrada para as universidades chinesas, receberá 12,5 milhões de inscritos este ano — cifra que marca a segunda diminuição consecutiva e deixa para trás 450 mil candidatos que participaram em 2025.
O teste será aplicado no próximo domingo, marcando mais um capítulo de uma tendência preocupante para o sistema educacional chinês. A queda não é isolada. Já havia ocorrido contração no ano anterior, sinalizando mudanças profundas no comportamento dos jovens e nas escolhas de milhões de famílias quanto ao futuro profissional.
Os números revelam realidades complexas. A redução successive sugere fatores estruturais em jogo: demografia desfavorável, com menos nascimentos nas décadas recentes; maior acesso a alternativas educacionais no exterior; ou até mesmo descrença no retorno que uma universidade chinesa ofereceria diante de um mercado de trabalho mais competitivo e saturado. Nenhuma dessas possibilidades é trivial.
Para brasileiros e tocantinenses que acompanham tendências globais, a situação na China importa. O país representa um dos maiores mercados educacionais do planeta e qualquer transformação nesse cenário reverbera internacionalmente — desde ofertas de bolsas de estudo até parcerias acadêmicas. Universidades chinesas buscam atrair talentos estrangeiros justamente para compensar pressões domésticas.
O Gaokao é notoriamente rigoroso. Estudantes se preparam por anos, frequentando aulas particulares intensivas e competindo em ambiente de altíssima pressão psicológica. A prova abrange disciplinas como matemática, língua chinesa, inglês e ciências, funcionando praticamente como um filtro determinante para trajetórias profissionais inteiras. Histórias de suicídios de candidatos que fracassaram marcam a cultura da educação chinesa, evidenciando o peso emocional dessa avaliação.
A queda em inscrições, portanto, não passa desapercebida por formuladores de políticas públicas em Pequim. Governo e instituições educacionais tentam compreender se estão diante de transformação permanente ou de um padrão cíclico. As respostas determinarão investimentos futuros, reformas curriculares e até políticas de natalidade — já que demografia é peça-chave nesse quebra-cabeça.
Estudantes chineses cada vez mais consideram alternativas. Alguns buscam certificações profissionais em vez de graduações tradicionais. Outros migram para educação online ou programas internacionais. Famílias com recursos frequentemente enviam filhos para estudar no exterior desde o ensino médio, evitando o Gaokao inteiramente. Essas mudanças ocorrem simultaneamente à queda de inscritos.
O impacto econômico também merece atenção. Indústrias inteiras — de cursos preparatórios até publicações especializadas — dependem do fluxo de candidatos ao exame. Redução significa menor demanda por esses serviços. Cidades que vivem parcialmente dessa economia precisam se readaptar.
Os próximos resultados do Gaokao, quando divulgados nas próximas semanas, oferecerão pistas sobre como o sistema responde à menor concorrência. Margens de corte podem cair. Aprovações podem aumentar. Ou universidades podem endurecer critérios para manter seletividade. O domingo que marca o início do exame é apenas o começo de análises que se estenderão meses adentro, definindo caminhos para milhões de famílias chinesas.