Inverno exige mais água para proteger rins no Tocantins
Médicos alertam que a desidratação no frio pode agravar doenças renais — prática vale para todo o estado
O inverno no Tocantins, mesmo com temperaturas amenas em comparação a outras regiões do país, exige atenção redobrada com a hidratação. A queda nos termômetros, que já começa a ser sentida em junho, altera hábitos diários e, sem perceber, coloca em risco a saúde dos rins. Quem descuida da ingestão de água nessa época do ano pode estar abrindo as portas para problemas renais, segundo alertam especialistas.
A estação fria traz consigo uma mudança sutil, mas perigosa: a sensação de sede diminui. Com o ar mais seco e o corpo menos exposto ao calor intenso, muitas pessoas reduzem a quantidade de líquidos ingeridos ao longo do dia. O problema é que os rins, responsáveis por filtrar toxinas do sangue, dependem justamente da água para funcionar adequadamente. Quando a hidratação cai, a concentração de minerais e substâncias nocivas no organismo aumenta, sobrecarregando o sistema renal. Em casos extremos, essa negligência pode desencadear infecções urinárias, cálculos renais ou até mesmo insuficiência renal.
No Tocantins, onde o clima seco já é uma constante, a combinação do inverno com a redução no consumo de água torna a situação ainda mais crítica. A umidade relativa do ar costuma cair abaixo dos 30% em várias cidades do estado, o que acentua a perda de líquidos mesmo sem percebermos. Em Palmas, por exemplo, a média de chuvas em junho é de apenas 20 mm, um dos meses mais secos do ano. Nessas condições, o corpo perde água pela respiração e pela pele com mais facilidade, mesmo sem suar. Quem já tem histórico de problemas renais ou faz uso de medicamentos que afetam a função renal precisa redobrar os cuidados.
Os números reforçam a gravidade do problema. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, as internações por doenças renais aumentam em até 20% durante o inverno em regiões de clima seco. No Tocantins, o Hospital Geral de Palmas registrou um crescimento de 15% nos atendimentos por infecções urinárias e cálculos renais nos últimos dois anos, justamente nos meses de junho e julho. A médica nefrologista Dra. Ana Carolina Silva, que atende na capital, explica que a desidratação é um fator silencioso, mas determinante. "Muitas vezes, o paciente chega ao consultório com sintomas de fadiga ou dores nas costas e só então descobrimos que a causa é a falta de água. No inverno, o corpo não avisa que está desidratado como no verão, então a gente precisa criar o hábito de beber mesmo sem sede", alerta.
Para quem vive no interior do estado, a situação pode ser ainda mais delicada. Em cidades como Gurupi, Araguaína ou Porto Nacional, onde a rede de saúde é mais escassa, a prevenção se torna ainda mais urgente. A falta de acesso rápido a exames ou consultas especializadas faz com que problemas renais não diagnosticados evoluam mais rapidamente. A orientação é simples, mas exige disciplina: manter uma garrafa de água por perto e estabelecer metas diárias de ingestão, como dois litros para adultos saudáveis. Quem pratica atividades físicas ou consome bebidas alcoólicas deve aumentar essa quantidade, já que ambos os hábitos aceleram a desidratação.
A Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins já incluiu campanhas de conscientização sobre hidratação no inverno em seu cronograma anual. Neste ano, a pasta distribuiu folders em postos de saúde e farmácias, além de veicular anúncios em rádios locais. "A gente sabe que o Tocantins tem um público envelhecido e com doenças crônicas, que são mais vulneráveis. Por isso, estamos reforçando a mensagem de que água não é só para o verão", afirmou o secretário adjunto de Saúde, Dr. Marcos Oliveira. A iniciativa, no entanto, ainda enfrenta resistência. Muitos moradores do estado, acostumados ao calor intenso, não associam o frio à necessidade de beber mais água.
O que fazer para evitar problemas? Especialistas recomendam algumas medidas práticas. Comece o dia com um copo de água em jejum, mesmo que não sinta sede. Inclua alimentos ricos em água na dieta, como melancia, pepino e laranja. Evite o excesso de café e chás diuréticos, que podem piorar a desidratação. E, acima de tudo, não espere a sede chegar para tomar um gole. No Tocantins, onde o clima é imprevisível e o acesso à saúde nem sempre é fácil, a prevenção é a melhor ferramenta.
A estação fria ainda não chegou ao seu pico no estado, mas os alertas já estão dados. Enquanto o inverno avança, a pergunta que fica é: você está bebendo água o suficiente hoje?