Debate industrial cobra soluções e cobranças para o Tocantins
Candidatos ao governo ouviram cobranças da FIETO e prometeram ações em setores-chave como logística e energia em Palmas

O segundo bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins, realizado na noite de quinta-feira, 27, em Palmas, pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO) em parceria com a TV Jovem Record, virou um palco de cobranças e promessas. Pela primeira vez no evento, os postulantes não se enfrentaram diretamente. Em vez disso, responderam a perguntas elaboradas pelo setor industrial, que escolheu os temas com antecedência. Cada candidato sorteou uma pergunta entre as preparadas pela FIETO, que focaram em gargalos que travam o desenvolvimento do estado.
O formato foi diferente do habitual. Enquanto os debates costumam ser marcados por confrontos entre os candidatos, essa rodada foi organizada como um painel de cobranças. A FIETO levou ao evento questões que, segundo o setor, precisam de respostas urgentes para que o Tocantins avance. Entre os temas abordados estavam logística, energia, infraestrutura e políticas públicas que impactam diretamente a indústria local. Os candidatos tiveram que mostrar como pretendem resolver problemas que afetam não só as empresas, mas também a população tocantinense.
Para quem vive no estado, as respostas dadas pelos candidatos podem significar mudanças concretas. Um dos pontos mais discutidos foi a falta de infraestrutura logística, que encarece o transporte de produtos e prejudica a competitividade das indústrias tocantinenses. Outra questão levantada foi a necessidade de diversificar a matriz energética, reduzindo a dependência de fontes caras e instáveis. Os candidatos também foram questionados sobre políticas de incentivo à inovação e à atração de novos investimentos, temas que afetam diretamente a geração de empregos e a economia local.
As perguntas foram sorteadas uma a uma. Entre os temas escolhidos pelos candidatos estavam a melhoria da BR-153, a ampliação da oferta de energia renovável e a desburocratização de processos para abertura de empresas. Um dos candidatos, ao ser questionado sobre logística, admitiu que o estado precisa de obras urgentes, mas não detalhou prazos. Outro prometeu criar um programa de incentivo fiscal para indústrias que investirem em tecnologias limpas, sem especificar valores ou como seria financiado. Um terceiro defendeu a parceria com o governo federal para obras estruturantes, mas não apresentou um plano concreto.
A FIETO, que organizou o evento, deixou claro que não vai aceitar respostas genéricas. O presidente da entidade, ao abrir o debate, afirmou que o setor industrial espera ações efetivas, não apenas promessas. "O Tocantins tem potencial, mas precisa de políticas públicas que deem condições para as empresas crescerem", disse. Ele lembrou que, sem investimentos em infraestrutura e energia, o estado corre o risco de perder oportunidades para vizinhos como Goiás e Mato Grosso, que avançam mais rápido em competitividade.
O debate mostrou que, para o eleitor tocantinense, as eleições não são apenas sobre promessas de campanha. São sobre cobranças que afetam o dia a dia: o preço da energia que chega às casas, o custo do frete que encarece os produtos no supermercado, a falta de empregos qualificados. A FIETO, que representa mais de 1.200 empresas no estado, deixou claro que vai monitorar de perto as propostas dos candidatos. Se as respostas não forem suficientes, o setor pode pressionar por mudanças mesmo antes das eleições.
O próximo passo agora é acompanhar como cada candidato vai detalhar suas propostas nos próximos debates e em suas campanhas. A FIETO já anunciou que pode promover novas rodadas de perguntas, dependendo das respostas recebidas. Enquanto isso, as indústrias do Tocantins seguem na expectativa, esperando que as promessas se transformem em ações concretas para tirar o estado do atraso logístico e energético que trava seu crescimento.