Inadimplência no crédito bate recorde histórico em julho
Taxa de 6,4% supera todos os registros desde 2011, segundo dados da Forbes Brasil

O volume de brasileiros com dívidas em atraso atingiu 6,4% em julho, o maior patamar desde que o indicador começou a ser medido em 2011. O dado, divulgado pela Forbes Brasil, mostra que o estoque total de crédito no país recuou para R$ 7,372 trilhões, refletindo um cenário de aperto financeiro para famílias e empresas.
A alta da inadimplência não veio sozinha. O volume de concessões de novos empréstimos caiu na comparação com junho, sinalizando que tanto bancos quanto clientes estão mais cautelosos. Especialistas ouvidos pela revista apontam que a combinação de juros elevados, inflação persistente e desemprego ainda elevado tem pressionado o orçamento das famílias, levando ao aumento dos atrasos.
Para quem depende de crédito para consumo ou investimento, o cenário é preocupante. Com menos dinheiro circulando e mais pessoas com contas em aberto, o acesso a novos financiamentos tende a ficar ainda mais restrito. Empresas que dependem de vendas a prazo também sentem o impacto, com clientes adiando pagamentos ou simplesmente deixando de honrar compromissos.
Os números mostram que o crédito total no país encolheu, mas o problema não é apenas de oferta. A inadimplência crescente afeta diretamente a capacidade de recuperação econômica, já que bancos tendem a apertar ainda mais as condições para emprestar. Em julho, a taxa de 6,4% superou o recorde anterior, registrado em maio de 2020, quando a pandemia forçou milhões de brasileiros a buscar socorro financeiro.
A Forbes Brasil destaca que o dado faz parte de uma série histórica iniciada há 13 anos, o que reforça a gravidade do momento. Enquanto o governo e o Banco Central discutem medidas para estimular a economia, a realidade das famílias e empresas segue pressionada. A pergunta que fica é: até quando esse ciclo de aperto vai durar?
O próximo passo será observar se os números de agosto mantêm a tendência ou se alguma mudança na política monetária ou no mercado de trabalho conseguirá reverter o quadro. Por enquanto, a única certeza é que o crédito, que já foi um motor de crescimento, agora se tornou um termômetro da saúde financeira do país.