Importação de trigo pode chegar a 9 milhões de toneladas
Abitrigo projeta aumento das compras externas de trigo para o próximo ciclo, após revisão das previsões de safra

A Associação Brasileira de Trigo e Milho (Abitrigo) informou nesta terça‑feira que a demanda por trigo importado pode alcançar 9 milhões de toneladas no próximo ciclo agrícola, abrangendo todo o território nacional.
A revisão das projeções surgiu após a análise das condições climáticas que comprometeram parte da produção doméstica. Secas intermitentes e chuvas irregulares reduziram a expectativa de colheita, levando o sindicato a recalcular a necessidade de suprimento externo. Assim, a associação ajustou a estimativa de produção interna e, consequentemente, elevou a projeção de importação.
Para os setores que dependem do trigo – padarias, indústrias de biscoitos e fabricantes de ração animal – o aumento nas compras do exterior pode se traduzir em alterações de preço nas prateleiras. Quando a oferta interna diminui, o mercado tende a buscar alternativas importadas, o que pressiona os custos logísticos e, em última instância, o consumidor final. Além disso, distribuidores de commodities já sinalizam a necessidade de revisar contratos de compra para garantir volumes adequados ao novo cenário.
A Abitrigo apontou que, antes da revisão, as importações estavam previstas em torno de 6 milhões de toneladas. O novo número, 9 milhões, representa um salto de 50% nas expectativas de compra externa. Em entrevista, o presidente da entidade ressaltou que a estimativa reflete apenas o primeiro ano de ajuste e que os números podem variar conforme a evolução das condições climáticas nas próximas safras. O órgão também destacou que o país ainda mantém capacidade de produção significativa, mas que a volatilidade do clima obriga a planejar com margem de segurança.
Nos próximos dias, o sindicato pretende monitorar de perto os indicadores climáticos e as ofertas dos principais fornecedores internacionais, como Estados Unidos, Canadá e Argentina. A expectativa é de que as negociações se intensifiquem nas próximas semanas, com foco em contratos de médio prazo que assegurem a estabilidade do abastecimento. Enquanto isso, autoridades do Ministério da Agricultura devem avaliar a necessidade de medidas de apoio ao produtor nacional, visando minimizar os efeitos de uma safra reduzida sobre o mercado interno.