IFTO Araguaína recebe R$ 8 milhões para laboratórios de ponta
Investimento do governo federal vai modernizar estrutura de ensino técnico no norte do Tocantins até 2025

O Instituto Federal do Tocantins (IFTO) campus Araguaína acaba de garantir R$ 8,2 milhões para erguer três laboratórios de alta tecnologia. A verba, liberada pelo Ministério da Educação (MEC) na última semana, será usada para equipar espaços dedicados à robótica, automação industrial e energias renováveis. A notícia chega em um momento crucial para a região, que tem visto o ensino técnico ganhar cada vez mais espaço na formação de mão de obra qualificada para indústrias locais e do entorno.
A decisão de investir no campus de Araguaína não é aleatória. Nos últimos dois anos, a unidade se destacou por formar técnicos em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Tocantins, como agroindústria e logística. O coordenador do curso de Eletrotécnica, professor Marcos Vinícius, lembra que a demanda por profissionais capacitados nessas áreas só cresce. "Aqui em Araguaína, temos empresas de médio e grande porte que precisam de técnicos especializados, e esses laboratórios vão fechar essa lacuna", explica. Segundo ele, os novos espaços também devem atrair estudantes de outras cidades do norte tocantinense, como Wanderlândia e Xambioá, que hoje enfrentam dificuldade para encontrar cursos técnicos próximos de casa.
O dinheiro será dividido entre três frentes: R$ 3,5 milhões para o laboratório de robótica e automação, R$ 2,8 milhões para o de energias renováveis e R$ 1,9 milhão para o de automação industrial. Os recursos já estão disponíveis e a previsão é que as obras comecem em março de 2024, com entrega prevista para o segundo semestre de 2025. A reitora do IFTO, Maria Auxiliadora Costa, adianta que o projeto inclui não só a compra de equipamentos, mas também a capacitação de professores. "Vamos trazer treinamentos com empresas parceiras para que nossos docentes estejam atualizados nas tecnologias que serão usadas", diz. Ela lembra que, desde 2020, o campus já recebeu R$ 15 milhões em investimentos federais, mas que este novo aporte é o maior já feito em um único ano.
Para quem vive em Araguaína e região, a novidade chega como um alento. A cidade, que já é um polo de serviços e comércio no norte do estado, agora tem a chance de se consolidar também como referência em formação técnica de qualidade. O empresário João Batista, dono de uma pequena indústria metalúrgica na cidade, comemora a notícia. "Aqui a gente sempre sofre com a falta de mão de obra qualificada. Se esses laboratórios saírem do papel, vai ser mais fácil contratar técnicos que já saibam mexer com robótica ou automação", conta. Ele próprio já contratou três técnicos formados pelo IFTO nos últimos dois anos, mas admite que a concorrência por esses profissionais é grande.
A expectativa é que os novos laboratórios beneficiem diretamente cerca de 500 estudantes por ano, entre cursos técnicos e superiores. Além disso, a estrutura deve servir para projetos de pesquisa aplicada, com potencial de gerar inovações para a indústria local. O coordenador de Pesquisa do campus, professor Ricardo Oliveira, destaca que já há parcerias em andamento com empresas de Palmas e Gurupi para desenvolver soluções em eficiência energética. "Com esses laboratórios, a gente poderá testar protótipos de painéis solares ou sistemas de automação antes de levá-los ao mercado", afirma.
A próxima etapa agora é a licitação das obras, que deve ser aberta nos próximos 30 dias. A prefeitura de Araguaína já se comprometeu a ceder um terreno de 1.200 m² próximo ao campus para abrigar os novos espaços. Enquanto isso, a comunidade acadêmica aguarda ansiosa. A estudante Ana Clara, do curso de Eletrotécnica, resume o sentimento geral: "Eu entrei no IFTO justamente por causa dessas oportunidades. Agora, com esses laboratórios, a gente vai poder colocar a mão na massa de verdade".
O IFTO Araguaína já é referência no estado, mas esse investimento coloca a unidade em outro patamar. Com laboratórios de última geração, a instituição não só melhora a formação dos alunos, como também se aproxima das demandas reais do mercado de trabalho tocantinense. E, para uma região que busca diversificar sua economia, isso pode fazer toda a diferença nos próximos anos.