Bolsa brasileira bate recorde de dez altas seguidas com ajuda de Petrobras e bancos
Ibovespa fecha em alta pelo décimo pregão consecutivo impulsionado por Vale, Petrobras e setor financeiro; dólar recua frente ao real

O Ibovespa fechou mais uma sessão em alta nesta sexta-feira, marcando a décima alta consecutiva. O índice, principal termômetro do mercado acionário brasileiro, encerrou o dia com ganhos puxados por ações de grandes empresas como Petrobras, Vale e bancos. Enquanto isso, nos Estados Unidos, os principais índices fecharam em queda, refletindo preocupações renovadas com a inflação e o comportamento dos títulos globais.
A sequência de altas do Ibovespa não ocorria desde outubro de 2021, quando o índice acumulou onze pregões positivos. Ontem, a valorização foi de 0,78%, chegando a 131.500 pontos, um patamar não visto desde abril de 2022. A Petrobras, que representa cerca de 10% do peso do índice, subiu 1,5% após a divulgação de resultados trimestrais acima das expectativas do mercado. A mineradora Vale também contribuiu com ganhos de 2,1%, enquanto os bancos Bradesco e Itaú Unibanco fecharam com alta de 0,9% e 1,2%, respectivamente.
A disparada do Ibovespa contrasta com o desempenho dos mercados internacionais. Nos EUA, o S&P 500 caiu 0,3%, o Dow Jones perdeu 0,2% e o Nasdaq recuou 0,5%. A queda nos EUA veio após dados mostrando que os preços ao produtor nos EUA subiram mais do que o esperado em maio, reacendendo temores de que a inflação possa demorar mais para ceder. Os títulos do Tesouro americano também registraram queda, com os de dez anos rendendo 4,45% ao ano, o maior patamar desde março.
O dólar, por sua vez, recuou 0,6% frente ao real, fechando cotado a R$ 5,02. A moeda americana vinha em trajetória de alta nas últimas semanas, influenciada pela expectativa de manutenção de juros altos nos EUA e pela incerteza fiscal no Brasil. A queda do dólar nesta sexta-feira aliviou parte das pressões sobre as empresas com dívidas em moeda estrangeira, como a Petrobras, que tem grande parte de sua receita atrelada ao câmbio.
Para investidores, a sequência de altas do Ibovespa pode sinalizar um momento de otimismo no curto prazo, mas especialistas alertam para riscos à frente. A valorização acumulada em dez pregões — cerca de 4% — já supera a média histórica para períodos semelhantes, o que pode indicar uma correção nos próximos dias. Além disso, a dependência de poucas ações, como Petrobras e Vale, deixa o índice vulnerável a mudanças bruscas no cenário externo ou em políticas internas.
A próxima semana será marcada pela divulgação de novos dados econômicos nos EUA, incluindo o índice de preços ao consumidor (CPI) de maio, que deve ser anunciado na terça-feira. No Brasil, o foco estará no andamento das negociações sobre o arcabouço fiscal, que pode influenciar a confiança dos investidores e o comportamento do câmbio. Enquanto isso, o mercado brasileiro segue atento à evolução dos preços das commodities, que têm impacto direto nas ações da Vale e da Petrobras.
A Bolsa brasileira vive um momento de euforia, mas a cautela ainda é a palavra de ordem. A sequência de altas consecutivas é rara e chama atenção, mas não esconde os riscos de um mercado que ainda depende de fatores externos para manter seu ritmo atual.