Morto em Araguaína: homem em situação de rua é encontrado na manhã desta terça
Vítima de 41 anos foi localizada na região central da cidade por volta das 7h. Polícia investiga causas da morte
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Um homem de 41 anos, em situação de rua, foi encontrado morto na manhã desta terça-feira (10) na região central de Araguaína, no norte do Tocantins. O corpo foi localizado por volta das 7h, próximo ao cruzamento da Avenida Pará com a Rua 08, uma das principais vias do município. A Polícia Civil informou que a vítima não apresentava sinais de violência, mas a causa da morte ainda não foi determinada, aguardando laudo do Instituto Médico Legal (IML).
A descoberta acendeu um alerta entre moradores e comerciantes da área, que já haviam notado a presença constante do homem, conhecido na região por perambular pelas calçadas e pedir ajuda. Vizinhos relataram que ele costumava dormir em frente a lojas ou em pontos de ônibus, sempre próximo ao comércio local. "Ele sempre pedia comida ou dinheiro, mas nunca foi agressivo. Agora, a gente fica pensando no que pode ter acontecido", contou Maria Silva, dona de uma lanchonete na Avenida Pará. A prefeitura de Araguaína não se pronunciou sobre ações recentes voltadas à população em situação de rua, mas a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que mantém equipes de abordagem social em pontos estratégicos da cidade.
O caso reacendeu discussões sobre a vulnerabilidade dessa população em meio à crise econômica que afeta o Tocantins, especialmente em cidades como Araguaína, onde o desemprego e a falta de moradia têm crescido nos últimos anos. Dados da Secretaria de Estado do Trabalho e Assistência Social mostram que, desde 2022, o número de pessoas em situação de rua no estado aumentou 15%, com Araguaína registrando um dos maiores índices. "A gente vê que a situação piorou depois da pandemia. Muitas pessoas perderam o emprego e não conseguiram se recolocar", afirmou o coordenador do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) de Araguaína, João Pereira.
A Polícia Civil informou que o corpo foi encaminhado ao IML de Araguaína, onde será realizado o exame de corpo de delito. A delegacia local investiga se houve algum tipo de negligência ou se a morte foi natural. Enquanto isso, a Defensoria Pública do Tocantins anunciou que vai acompanhar o caso para garantir que os direitos da vítima sejam respeitados, mesmo após a morte. "A gente precisa saber se houve algum descaso por parte do poder público ou da sociedade em relação a essas pessoas", declarou a defensora pública Ana Carolina Oliveira.
O caso deve ser encaminhado à Justiça nos próximos dias, após a conclusão do laudo pericial. Enquanto isso, moradores da região central de Araguaína já começaram a cobrar mais atenção das autoridades para a população em situação de rua, que enfrenta diariamente a falta de abrigo, alimentação e acesso a serviços básicos. "A gente não pode ficar de braços cruzados enquanto isso acontece", disse um comerciante que preferiu não se identificar.
A Secretaria Municipal de Saúde de Araguaína informou que mantém um posto de atendimento móvel na região central, oferecendo acolhimento e encaminhamento para serviços de saúde. No entanto, a demanda supera a capacidade de atendimento, segundo relatos de trabalhadores da área. A pasta não detalhou se há previsão de ampliação dos serviços para essa população.
A Polícia Civil aguarda o resultado do exame para definir os próximos passos. Enquanto isso, a sociedade de Araguaína se vê diante de mais um episódio que expõe as fragilidades do sistema de proteção social no Tocantins, onde a fome e a falta de moradia seguem desafios diários para milhares de famílias.